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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Embarque

Agora estou esperando o embarque. 6:09 da manhã. Quis colocar um trilha sonora, e postei então a última balada que escutei...vantage trouble, its not ok by me, algo assim o nome da música... Gosto de baladas.. Gosto de blues, e de jazz... Os três juntos então... Impossível não arrepiarr.. Não tocar todos os sentimentos presentes.. Insanidade lutar contras as lagrimas... Mundo este inteiro, num interno onde o mais profundo ainda é superfície... Fragilidade que se mostra, Deus do céu... Acho q é por isso q tenho evitado baladas,chorar tem sido cair aos pedaços, parece que corri a maratona... meus sentimentos pesam mais que minha mochila, e olha que tive que rearranjar a mala pra despachar, o que implicou em colocar tudo possível, .. Ainda bem q a mochila era grande... E a moça da TAP gente boa...os livros foram em plástico ... Sempre lembro de quanto escrevi, só é pesado se quiser levar a carga... Podia deixar os livros, a mala, os sentimentos, tudo ficaria mais leve.. Daí foi talvez daí que saiu a expreita, leva-se o mundo nas costas... Drummont! Ainda pesa mais que a mão de uma criança.. Mas se a canoa não virar... Eu chego lá... Embarque...

"Eu to voltando pra casa outra vez....("casa"- Lulu santos)

São 3:55 da manhã, e eu estou esperando a fila do Check in abrir. A caminho de casa, comida e roupa lavada. A caminho do Petrukio. De dias quentes e cafés da manhã em familia. Jantar em familia. Almoço em família. Finalmente compensar esse apetite descompensado, porque em familia o prazer não se está só em comer, mas em compartilhar.. Escutar os talheres batendo, de quem tem o costume de comer depressa para se correr logo ao trabalho e ganhar o pão de cada dia.. Entender as advertências de quem se importa, que comer em pé não é parar pra comer.. Apreciar todos os pratos em mesa, mesmo o quiabo, há quem passa fome e quem morre desnutrido. Deus obrigado por essa mesa repleta de família... Gente querida, cômica e engraçada. Heróis, príncipes e princesas... E agora herdeiro.
 O check in abriu!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O mito do tigre e o dragão

O mito do tigre e o dragão,
É o poder que tens e o dever de mestra-lo.
Poder sem maturidade = destruição.

Treinar o amadurecimento precoce, 
é o mito do homem-aranha.

Mas isso porque estamos falando dos bonzinhos...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Consciência, eu existo?" - Dolly, de Procurando Nemo

Eu sou o público alvo fiel dos filmes de comédias românticas. Daqueles que a gente pergunta "se no final tudo fica bem, falta muito pra acabar?". E se o "príncipe não encantar, a gente tira ele da história!". Eu confesso, tinha essas comunidades no orkut, quando tinha orkut. Orkut... putz, que percepção das coisas...mas é que fuçar a vida alheia faz parte. É que nem olhar a vida da janela, ou um quadro na parede. Fotos de porta retratos de momentos passados que nem são os seus. Como não existir, mas com pensamentos.

Falando em não existir, hoje eu fiquei na dúvida. Eu juro! Fui entrando num sebinho de Paris, a porta, automática não abriu pra mim. Pulei, andei pra lá e pra cá naquele tapete, e nada!... Dai a porta abre pra uma senhora que saia. Ufa, pude entrar...ainda bem... pois já estáva começando a desconfiar... O problema foi a saída...Realmente duvidei da minha existência quando fui saindo e a porta não abriu pra mim!! Pulei andei pra lá e pra cá naquele tapete e nada!!! A porta não abre pra mim, mas abre pro vendedor assim que ele pisou uma única vez naquele tapete descarado que não reconheceu o meu pé! "

Então falo de reconhecimento!!! Reconheço que sou o público alvo de comédias românticas!!! Pior que isso, choro no discurso de liberdade do presidente dos Estados Unidos no filme "Independence Day"! Que pra quem não conhece, é um dos primeiros filmes do Will Smitt no qual a terra enfrenta alienígenas. Gosto de propagandas de bancos, pois só mostram vidas felizes e cheias de esperança e alegria... Gosto das propagandas da coca-cola, principalmente do viva o lado cocacola da vida... tão descontraídas...ainda pior... provavelmente vou estar sorrindo se olhar para o meu rosto assistindo finais de novelas. Confesso que normalmente eu nem assisto o meio da novela, porque gosto mesmo é do final feliz... nem tanto das picuínhas e tramas... Mas a Flora foi realmente a vilã mais absurda de novela que já vi, de assustar e me fazer lembrar porque insisto em fazer artes marciais... é preciso acionar a intuição pra essas coisas..Aliás... saudade das novelas brasileiras, rs...

Reconheço que prefiro assistir Naruto à jornal nacional. Porque prefiro uma boa risada que estômago embrulhado. Que procuro escolher com o que me preocupar. Mas essa tem sido difícil... Preocupações estão me vindo, sem minha autorização, que absurdo, será que eu existo??? É muita coisa pra pensar afinal... tese, comida, não engordar, exercício, saudade, família, solidão, saúde, dormir, estudar, escrever, estudar mais, dominar, meditar, não pensar... essa história de ser humano dá muito trabalho, isso sim...

Então hoje eu percebi que a coisa é séria. Que se choro por nada é porque tenho medo de todos os meus sonhos irem ralo abaixo. ..."Porque esse cheiro que você está sentindo... vem do ralo"... Porque dá conta do recado é mais difícil que parece. Porque falar é fácil, fazer é que é difícil. Ora, quanta pretensão achar que sabe das coisas, quando se mudar, significa SE MUDAR!! Porque diabos não desconfiei que se mudar significa ter que aprender tudo de novo? que se mudar significa QUE, tudo aquilo que achava que era, na verdade, NÃO É! E que se não ficar feliz com o seu presente e ao seu redor, por definição, você fica triste! É simples ficar triste quando o quadro de referência de felicidade que você conhecia  NÃO É o seu presente... a não ser que você se desapegue do passado..putz.. aí é dose... não sou muito boa nisso...


Então eu admito, me recuso a deixar passar a vontade que tenho de estar perto dos meus pais, amigos, jeito brasiliense de ser... e nesse caso, me desafio então a acrescentar amigos, idéias e esse jeito francês-paris-aixoise-viajante-europa-ao-mundo... E olhando assim, poxa, ... até fico sem palavras... Tem um misto de gratidão, alegria e tristeza, orgulho e franqueza de admitir qualidades e defeitos, misto de coragem e medo que é, viver assim, conhecendo e acrescentando ao mesmo tempo desconhecendo e deixando ... 


Em Berserk se explica, "afinal quando se corre atrás de algo sempre se deixa algo pra trás"...Não há controle a não ser pela respiração... e se me esqueço, me perco no medo e no desespero das coisas que deixo... quanto já joguei de energia pra essa tal de instabilidade... QUE EU me conduza agora pro lado da coragem...que se faça, então existIR!


 Francamente, entre o novo e o velho...você tem que inventar algo novo. E inventar algo, mas fazer isso cheia de idéias na cabeça só faz mesmo é aumentar o termometrozinho da ansciedade no seu humilde corpo humano... e corpo humano tem data de vencimento, validade mapeada pela sua árvore genealógica, queno seu caso é complicado... é um "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come"... entre ansciedade e depressão, tudo é possível...melhor parar de ser besta... você que queria mudar o mundo... melhor seguir a risca da boa e velha "comece mudando a si mesmo"...

Realmente é muito detalhe pra se pensar...mas o assunto é sério... francamente, a gente tem que ver as coisas como elas são..Palavras de Mestre, literalmente...

E são como são, sonhos, mas realidades, pretensões, mas ações, ilusão, mas realidade... realidade, mas ilusão...Fatihah...Presente, fique no presente! esse é e sempre foi e sempre será o seu desafio... "No Fears, No Distractions"...

Namastê


domingo, 4 de dezembro de 2011

Estou digerindo.
Estou digerindo.
Tese. Ares. Mares. Conceitos.Vidas. Erros. Acertos.
Passem, passem. passem.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Quanto mais tento sair dos circos viciosos de minha mente que me desacredita, mais entendo que a força é desacreditar na mente que desacredita. Valorizar o segundo do sucesso para que recaia em cadeia nos minutos, horas, dias, meses e semanas que se faz a vida. É assim que se faz o estável no instável. É assim que se aprende a se levantar no abismo. Entender o espaço entre corpo e mente. E gerir otimizando tal relação. É tudo até bem lógico, inclusive o místico. 
Porque o segundo
se torna o minuto
que se torna a hora
que se torna o dia
que se torna a semana
que se torna o mês
 que se torna o ano.
que se torna a vida.

Não é bom menosprezar o segundo,
é uma reação em cadeia do que se vive.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Imagine-se assistindo a um quadro,
o quadro se movimenta,
são sonhos, olhares,
inseguranças, desejos...

pare por um segundo
no meio de um lugar movimentado,
são passos, risos,
pressa, desesperos..
tão rápidos que parece inimaginável caberem
numa respiração sua...

estenda-se nas pontas dos pés,
teus limites, a gravidade,
o músculo, a sensação...

existência...
coisa de louco, essa, viu...

Pode até parecer meio besta,
mas o amor é realmente o que tem de melhor nesse mundo...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A foto fantasma



Não existo.
Sou apenas o reflexo de uma imagem vista.
Algo que passou mas deixou uma impressão do que fica.
Como sonho acordado, ou memória de sono sem vida.

Eu não existo.
Sou apenas a fome e o desejo do corpo,
Animal que clama por gosto,
Sem saber o que é e não é.

Eu não existo.
Contorno apenas opiniões já vistas
Realço luzes e senso comum, conhecimento perdido.
Não existo sou a resposta alheia e sem fim,
Não tenho sequer contornos e olhos,
Eu não existo.

Como neblina em foto, não me enxerga direito.
Miupia direta de coração alheio,
Em meio à tantos esbarros, sem querer,
Pensei até que veio,
O nascimento de mim ao meio dia,
Mas não veio.

Sou o não existir reflexo de um eterno,
Incapacidade de carregar o presente com as mãos,
Preso a soluços humanos.
Inexisto ante as coisas do mundo sem fim.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

com tanta gente no mundo,
é curioso a solidão ser um problema social.

Mas já dizia Francisco de Assis,
é dando que se recebe,
perdoando que se é perdoado..

quero dizer,
em linguagem mais simples,
se quer companhia,
tem que ser companhia,
abdicar de si para compreender o outro.
Qualquer outro inverso, é um risco se frustar.

Não espere nada,
aí podem lhe oferecer tudo.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

que meu tom não te cause distância
e que também não espere muito de mim.

Porque o ministério da saúde adverte.
Solidão em excesso faz mal a saúde.

Que não especule sobre o que vou achar
que eu não julgue como você vai pensar,

oi, estou disponível.
a bolinha do meu status está verde.
queria desejar um bom dia,
mas tinha medo que me despejasse incertezas,

tive medo que me perguntaria o sentido do mundo,
ainda que ansiaria saber te dar a resposta que procura.

Pois que então não espere nada de mim,
e eu não tema nada de ti,
porque o ministério da saúde adverte,

eis o presente,
vamos curtir...

terça-feira, 1 de novembro de 2011


De tempos em tempos toda euforia cansa, exatamente como todos os de tempos em tempos... às vezes corro dessa centrífuga poesia, inútil esforço se minha escrita é também respirar... pois também quero correr das idéias formadas e que vão se formando no mundo, como se isso fosse possível estando nelas, à surfar. Escorrego pela beirada de todo sorvete, porque é doce. Tiro o açúcar do café por três dias, o café com açúcar me parece alienígena. Mudo meu paladar. Me pergunto o quão forte eu sou, se nada sou que senão a onda berrante por dentro de meu corpo... de tempos em tempos eu te leio, aqui ou ali, o risco é sempre velejar...porque escrita é caminho sem volta, volto e sinto tudo como tudo que se tem todo ser ao expressar...sim, o universo é um trem cumprido, e a gente fala pelos cotovelos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Escapa-me realidade, pois qual, não sei certeza, dança ela, a noite inteira, lua, à toa, à retardar. Retarda o dia, o desespero, o continue, o vai com zelo, riscando o céu, a lua cheia, vivendo a tarde à madrugar. Solenemente o sol vem, chega, escuridão não tem certeza, duelo dia, sobre-põe à mesa, seu vinho branco, vamos brindar.

sábado, 29 de outubro de 2011

soube, sou frágil

Soube sou frágil
dócil frágil corpo
soube sou frágil
vida mente corpo.
soube sou frágil
dócil frágil corpo.
soube sou frágil,
mente vida corpo.

agora vou brincar de mulher invisível,
porque essa armadura de guerreira ficou foi pesada.
carregar espada, nem pensar, doi o pulso,
usarei então o arco e flecha.
Ficarei aqui a distância,
zelando por mim e por ti.

Pois, soube,
agora sou frágil,
dócil, frágil corpo,
sensível e frágil vida,
acorda e abençoa.
Mas o esqueleto,
é frágil,
e preciso de proteção.
se a armadura está pesada,
assim também de mão armada.

Eis que serei invisível,
aos seus olhos,
serei invisível.
Você,
de insensível,
sentirá a mim, o vento,
contornando-te, saboreando-te,
arrepia e perde a guerra.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A saída do ventre.

No dia em que saiu de casa dizendo que ia conquistar o mundo inteiro e mais um pouco. Levando meio coração partido, um saquinho de ceticismo e outro de alguma fé. Sabendo que a ausência do saber era o caminho do crescer, tinha um medidor interno dizendo qual caminho tomar. Tum tum. Tum tum. 

E sabendo que seguir as batidas está longe de bastar, corre atrás da velocidade do pensamento. Até onde o corpo pode resistir. Eis a morte do homem. A ausência do seu ser eterno. Mas ia conquistar o mundo inteiro. Iria até ainda mais além. Teria as soluções para todos os problemas. O discurso perfeito do digno e do certo.

Contando que achava achar alguma coisa, porque tinha um saquinho de ceticismo e outro de alguma fé. Ferramentas do conhecimento, medindo o pensamento. Avaliando os eixos internos e externos de via de informações. O mundo, as cores, as regras, padrões. Achava que fazer o certo bastava. E que não seria atropelada por caminhões. Achava que o pôr do sol seria suficiente para colorir a dor do desencanto da saída do ventre. E eis que veio a desilusões. Frias e secas, pensara que poderia realmente seguir sendo quem você é?

Todo filme de guerreiro ensina. Toda história, lenda e padrão. Ou você desapega, ou vai sofrer. Volta lá e busca o saquinho de coragem, mas acha mesmo que é capaz agora de ser o que era antes? Não há exatamente volta para todo conhecimento, uma vez que se sabe. Mas ainda ver o pôr do sol é consolo para todo desencanto da saída do ventre.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Preste atenção nas letras das músicas. Gente querida sempre deixa saudade.

Não vou nunca tentar entender como mudar de opinião é fácil. Sou frágil sentimentos que sorriem ao ver uma foto sua. Me arrependo logo após ter comido um pão inteiro. E alho poró é de longe o melhor tempero de todos os tempos.

Disciplina e invenção, são traços rápidos. Sou ninguém e obrigo-me à acompanhar a velocidade dos meus pensamentos. Espalhando-me em livros, fotos, poesias e desejos, ao chão e espaço e espelhos. Mas ainda me abro para o dia, respirar.

Gigante são os olhos do mundo. Forte márfia das coisas. Perambulam pelos discursos humanos. Falam de mim e de ti, sem sequer nos consultar. Somos possíveis torres gêmeas, basta pisar o pé fora, ou mesmo ficar em casa. Sem desespero. Preste atenção nas letras das músicas, as sertanejas são as mais engraçadas.

Por isso nunca vou entender como mudar de opinião é fácil. Disciplina vira invenção e obrigo-me a dançar a valsa do dia, na incapacidade de seguir a velocidade dos meus pensamentos. Gigante são os olhos do mundo, onde visto minha roupa de sereia. Cantarei para driblar os sete mares, fora ou dentro, sem desespero. Preste atenção nas letras das músicas. Gente querida sempre deixa saudade.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O que dizer quando castelos pegam fogo?
quando todo aquele nosso mundo cai por água abaixo?


- don´t let it bring you down,
it´s only castles burnning... Seal


Mas o que fazer quando todo o seu mundo desaba,
e precisa construir algo novo no lugar....

E você que preferia deixar o porquê da existência aos filósofos,
e a escrita da sobrevivência aos biólogos...

Escolha suas armas...

O fascínio

O fascínio.
Quando eu perder o fascínio por ti,
seus olhos já não brilharão,
e pensarei que foi você
que não me salvou e não deu a resposta aos meus anseios.
Porque é preciso seguir.

Quando eu perder o fascínio por ti,
já não terá o mesmo encanto,
sequer te reconheço mais
e pensarei que foi você
 que deixou de ser quem eu conhecia
e não deu a resposta aos meus anseios.
Porque é preciso seguir.

Quando eu perder o fascínio por ti,
seu exemplo não caberá em mim
nem minhas pernas bambas assim,
pois pergunto porque?porque?porque?
Porque não responde assim?

Quando eu perder o fascínio por ti,
é porque o espelho caiu,
já não reflete minhas expectativas,
e não vejo a não ser o real,
desconecto do sonho do modesto,
é preciso correr pra poder voar.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A narração pessoal interna dos clássicos...

Agora já é tarde. Colocou os fones de ouvido. Passara a escutar Asturias de uma coleção de músicas clássicas gentilmente cedida por um grande amigo quando lhe falou seu interesse também por músicas clássicas. Asturias, Isaac Albeniz. E as cortinas se abrem, os personagens se apresentam. Cores se mesclam, sentimentos entram.... Em seguida, Mozart. Gostava de Mozart. Gostava da intensidade com que suas lendas cresceram. Principalmente em torno de sua morte. Como um de seus filmes favoritos mostra como sua composição teria sido causa de sua morte. Alguém que entra por inteiro no que  faz. Melhor tomar cuidado com o que se faz. As coisas tomam força própria. Sua vida não é que senão a força de seus atos, aparentemente. 

Mas agora já é tarde. Viu-se circulada de todos aqueles sentimentos e suas histórias. Sua força própria que te pede sede e escrita. Agora já era, cedeu na incapacidade de dizer não à roda viva da vida e seu turbilhão de coisas. E o corpo inteiro responde. O corpo inteiro chora. E narrando essa história, posso sentir o seu choro. Escuta-lo, mas não dize-lo. Erro foi o apego ao seus filmes favoritos. Como cada personagem de seu ser é uma representação por inteiro de algo que já foi e que já viu passar. Talvez começara ali, como naqueles filmes que se faz passar a idéia de que a vida é uma história narrada onde fazemos parte do espetáculo. Primeiro precisamos do empenho e da coragem para entender. Realidade ou conto de fadas, tanto faz. Tudo depende do que você vai fazer com tantas informações. Quero dizer, de que adianta saber o que você foi em vidas passadas se descobrir que na verdade antes era inimigo daqueles que hoje você mais ama, se não deixar tudo isso para trás. E o que é pior, do que adianta você assistir a toda uma saga daqueles personagens que precisam ficar mais fortes para conseguir salvar a si, aqueles a quem amam, e todos a sua volta, e ainda achar que isso é apenas uma história. Desse jeito nem é preciso muito para entender como de fato sua vida pode se tornar um ensaio de um espetáculo que jamais se realizará. 

Air on a G String. Bach. Deus, que drama que me é colocado diante de seus olhos. Misto de tristeza e desespero que só vai passar se conseguirmos alcançar a próxima nota. Solidão que se guarda pomposamente diante dos seus apegos a sonhos impossíveis e passados, mas que tanto formaram seu ser, tanto impregnados estão que não pode ser soltar diante da mais fácil nota de amor. Mas ahh.. Um ar de tranquilidade e serenidade. Dizem que a tristeza é o fim de um estado de desilusão. E que a partir de então talvez finalmente a gente consegue seguir. Mas realmente essa é uma das músicas mais tristes e belas que conheço. Capaz de ilustrar a mais dramática cena onde os heróis estão perdendo desesperadamente a guerra contra anjos alienígenas, em uma cena em que você, dentro de sua arma e armadura, encontra-se afundada no meio de um lago; e você, sem saída, não tem escolha a não ser se entregar ao turbilhão e lógica das coisas; empenhando-se ao máximo em fazer o seu melhor. Como se pudesse haver razão no desespero e perda de lógica e senso de racionalidade. Como se houvesse lógica e racionalidade em qualquer realidade. Por todos os seus traumas e por tudo em que acredita. Maldita lógica essa em acharmos que é egoísmo pensar que merecemos o melhor. Essa inerente falta de amor próprio presentes aos mundos.

Cello Suite 1. Bach. Sim, o choro ainda está presente. Mas o choro insiste em não cair. Ser humano. Emoções. Instintos. Cores. Sensações. Tudo faz parte. O melhor não agir possível é ver a primavera crescer, simplesmente. Eis a serenidade e tranquilidade mesclada com a tristeza da constatação das coisas, que são como são e não controlamos. Não temos o controle, mas nada impede que otimizemos os resultados assim que entendemos o campo, a lógica e linguagem, montamos a melhor estratégia e seguimos, independente das tempestades. Só espero que seus interesses sejam lícitos e interessantes, no que me resta ainda de ética, não gosto de atrapalhar a vida dos outros.

Toccata and Fugue in D Minor. Bach. Lembro-me dos famosos atendados terroristas. E reconheço minha incapacidade frente a demônios que se passam por anjos. Quero dizer, posso tentar ao meu máximo aprimorar minha intuição e percepção das coisas que sempre terei um pé atrás na incapacidade de lidar com camuflagens. Pois mesmo que a intuição joga com a percepção das coisas, a aparência joga com a lógica. Se aparece um demônio vestido de soldado é mais provável acreditar que ele é um soldado que um demônio. Ainda que tenha uma intuição interna gritando desesperadamente tentando te dizer para que saia correndo imediatamente, pois que é uma bomba e vai explodir. Nessas horas é prudente ter animais por perto, principalmente aqueles treinados para reconhecer o perigo. Um predador normalmente reconhece outro predador. Ou simplesmente qualquer instinto de sobrevivência bem cuidado irá indicar um perigo iminente. A aparência é quando se perdemos na lógica das coisas, e esquecemos do mundo animal em que estamos. Pensamos ser civilizados. E até somos. Só não é prudente esquecer da selva, pois que também o somos.

5a Sinfonia de Beethoven. Sem palavras. Talvez por que é tempo. Salva-me de toda essa perdição de casos e palavras, apegos e encantos e deixai-me tão somente escutar. Magnífico silêncio que se faz pelo simples apreciar do presente que me apresenta suas notas.. como se não houvesse turbilhão de coisas que pudesse ainda segurar... todo apego perde força... talvez sobre apenas algumas memórias... quando por exemplo assistia a janela do carro indo para Goiânia em sua infância, escutando Mozart e Beethoven que seu pai tanto gosta...porque a saudade ainda me é um dernier apego....Finalmente deixara as lágrimas rolar...

Passar bem.

domingo, 16 de outubro de 2011

Paris, 16 de outubro de 2011

Abri o desbloqueio ao dia. Hoje, às 10:13 da manhã. É sol com rastros de aviões que se encontram no céu, aqui, em meu pequeno jardim do condomínio ao lado. Sem motivos aparentes resolvi limpar as teias de meu blog. Pingar os is, corrigir ortografias e esvaziar meu saquinho de vírgulas. Mas sem motivos aparentes, não quero ler. Não quero ler impressões do mundo. Não quero o apego da idéia que se faz. Vai ver a crise ainda não terminou. O eterno quem-sou-eu de meus contos à dizer o não dizer de minhas fábulas. Se assim é melhor, eu não sei. Vivo em constante briga com as verdades. Preferi silenciar o que é eterno. Paris, 16 de outubro de 2011.

domingo, 2 de outubro de 2011

entre coisas,
entre pontes,
entre ritmos, 
entre sonhos,
cortina aberta,
cortina fechada,
o show continua, 
n´importe quoi...


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Monique, 3 da madrugada de 29.09.2011

A finitude move meu ser.
A raridade calcula meu impulso.
Se meu coração cheio de apegos,
Comove-se frente à queda da mais leve pluma,
Já não tenho mais barco pra tanta tempestade..

Que preciosidade é-me a vida,
Que calor é esse que me envolve suas companhias
Solidão que desaparece e só tenhho aconchego,
Sou toda grata, só riso no rosto,
Até me esqueço, é ora de ir.

Pois que a finitude move nossos seres,
A raridade calcula nossos impulsos,
Se meu coração é cheio de apegos,
Revolto-me ao menor sinal de tchau..

Que sentimentos esses, tão traiçoeiros,
acolhida benção agora traz dor?
revolto-me ao ter que lhes dizer tchau.

Porque a finitude move meu ser
E a raridade enche meu pulso,
Não desapego,
mas a gratidão, o carinho, o aconchego,
amaciam-me a queda do impulso
Nesta madrugada, tchau  meus queridos,
Boa viagem, até logo, amo vocês

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

pai

Serei eu que vou desbravar tão bravos mares,
serei eu que cantarei teu assobio,
você, que me é forte,
de ti, pois, sou espelho.
Conquistarei então assim nossos castelos,
construirei pros nossos sonhos, tão belas pontes.
Acentarei, ali logo em cima, teu coração
você, que me é forte,
de ti, pois, sou espelho.
Conquistarei tão bravos mares no assobio,
construirei nossos castelos, tão belos sonhos,
E acentarei, ali logo em cima, teu coração,
você, que me é forte,
de ti, pois, sou espelho.
"Se minha imaginação permitisse presenciar cada detalhe seu. Não queria perder seu sorriso, nem piscar, porque olhos teus, conquistam o mundo. O que é que tem em seu mudo, abraço não diz quando se tudo. De ternura, olfato, o tato. Me perco, perdi pro futuro; conquistara espaço em mim. Agora que fico assim, vai dizer, vai saber, não tem fim. Tão sonhos, mas que sonhos... espalhei-me por toda no quarto. Quando vi já não estava aqui. Quando foi que perdi teu encanto, teus olhos não ousam a mim. Veja bem, olhe bem, saiba bem. O presente já não está aqui. Sobrou pra mim, você diz; não existe que senão não em mim. Me ponho o que é real, e está fosco, não sei onde ir. Se já soube, então é passado. Quando foi que o presente, eu perdi. Ah, sim, foi nos seus olhos, quando me apeguei no que quis. Foram então os abraços, o olfato e tato, de você, que não estava aqui."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

fluidez é o que há,
se não flui, ora, não há

- vamos vamos vamos,
já devia estar pronta, dépeche-toi!

- quando será é hora de voltar?
já está no forno a um bom tempo...

se digo, timidez,
silencio, choro e sumo...
chá de sumiço é assim...
mas posso também estar subindo montanhas 
para discutir a tese em conferências à la français,
e destravar....

E destravar....

domingo, 14 de agosto de 2011

a la mandala

Como me parece dificil postar essa vida. Posto que me ponho no posto de escritora de vocabularios limitados, riscos rasgados do descascar interno . Vivo sonhos distantes e piso sobre realidades errantes. Nao que a grama do vizinho esteje mais verde, a minha compoe-se de grama esmeralda. Mas tem uma falta, uma falta, uma falta.
Dai sempre que tento descrever, o cardapio parecera incompleto, os jardins sao belos e seus espinhos prontos para afiar aqueles que se apegam demais em sua beleza. Posto que estamos aqui para ir... All things must pass... E o exercicio supremo ainda permanece o Estar No Presente.
E os segundos que consigo esta proesa, que bela poesia, encanto sem palavras. Uma respiracao completa, uma vida perfeita, divina sensacao de paz interna refletindo a perfeicao dos jardins e mesmo granitos ao meu redor.
Meu mundo sera feito de reflexos. Um prisma de luz que colore a sua volta. Distribuira, se algo, amor, que assim seja, amem.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Perdoe me meu pobre vocabulario, estou enjoada de meus alfabetos, minhas linguagens nao me servem no momento, preciso buscar montanhas e silencios para dizer meus mais profundos desejos de querer ficar bem quietinha e respirar. Perdoe me meu pobre vocabulario, pois que se venho escrever o que me vem sao um vomito de palavras sem muito sentido e sem muita variedade, repeticoes de repeticoes, porque quero viver livre de mim. Entao perdoe me minha pobre poesia que aprecio dia a dia, pois que se te falo, poesia, ja nao 'e. Pois se te falo, poesia, as palavras te roubam de mim.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Song By Madhav

"Make yourself available to die,
Make yourself available to die,
Not longing for it,
Not dieing for it,
Just be ready to go at any time.."
-By Madhav

domingo, 17 de julho de 2011

Que meus olhos vejam,
Just right there...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caminhos de girassol

Passo pelos campos de girassol
retocados pelo laranja do crepúsculo,
e me lembro que já é passado,
presente esse,
a janela do trem.

Mais uma vez estou a caminho de Aix,
com o alívio de quem sai da cidade grande
direto pro calor da provença.
Com o sabor das coisas que passam rápido,
como caminhos de girassol na janela de trens.

E então passavam-me muitos porquês.
Porque às vezes eu queria saber...
Porque a saudade parece mais forte em mim?
o que tanto esse meu olhar carrega que pesa?
Porque seguro lágrimas e luto contra nós?

É que ficou tão claro em outros olhares,
o quanto os meus estão abalados.
Minha voz trêmula me disfarça o nó na garganta
e me pergunto quando é que foi que me fiz tão frágil?
quando foi que estar longe eu fiz tão difícil?
o que foi que fiz de tão diferente assim?
porque a saudade parece mais forte em mim?

Ainda que eu ame essa minha Provença,
e ainda que eu venha a amar minha futura Paris,
Porque afinal a saudade parece mais forte em mim?

Por isso minha voz é trêmula
e por isso pareço-lhes frágil,
eu, que já fui das mais fortes,
agora pareço alguém que precisa mais dos seus cuidados.
E vocês viram que era sério,
viu que eu parecia desabar,
sequer fizeram piada,
e ali, me ergueram num segundo,
cada um a seu modo.

Abençoado são os caminhos de Deus,
De um jeito ou de outro,
Parece que não fui feita para cair.

terça-feira, 28 de junho de 2011

entre efeito sutil e linguagem é assim

Tem lá no meio,
quase incompreensível
sua assinatura
en disant
estou aqui.

Porque se compreende,
o fio se camufla na linguagem.

então tem lá no meio
quase incompreensível
sua assinatura
en disant
estou aqui.

para que não se perca na linguagem.

sábado, 25 de junho de 2011

então agora colocarei um colchão de leve sob teus pés,
para amortecer seu joelho...

Te chamarei, bem de leve,
no pé do ouvido,
vem comigo,
gingando agora bem suave,
no ritmo du coeur, baby...

sinta seus pulmões tomarem bastante ar,
dando espaço para seus pensamentos,

claro, agora não é mais aquele que pulava para sentir toda adrenalina,
pois que também não quer perder nem mais um detalhe...

abra os olhos e ouvidos,
que toda invulnerabilidade passa,
porque toda vulnerabilidade passa com ela...

porque o problema do conhecimento
é o passo sem volta,
asneira por asneira,
no final das contas,
é só mais asneira,

e, bom, a vida é bela,



quinta-feira, 16 de junho de 2011

semente de je-ne-sais-pas-quoi.

Pode ser que agora eu conte da aventura. Porque então, agora, finalmente, me dei conta que sonho e realidade se misturam. E o dia em que quase perdi a cabeça, foi quando quase neguei toda essa percepção para além dos nossos olhos.

Então tá, vou dizer que os capitulos serão desorganizados, pois que os escrevo por lembrança. Perdão à minha falta de tato atual, eis que a epistemologia das coisas me vem à cabeça, e vario entre chão e ar, cabeça de vento  e seriedade, normalmente sou ou um ou outro, nunca consegui ser os dois. Tá aí algo que nunca conseguir ser, meio termo... invariavelmente bem extremista, ou seguro de com toda força ou, igualmente forte,... balde? eu chuto é o container...

Bom, estou bem feliz com meu estado atual das coisas. Eis que não sabendo identificar presente, passado e futuro, vim a conhecer um monge tibetano disfarçado. Sua força não-física ressoa físicamente e o ambiente se altera ao seu redor, como aquelas luzes em festa trance, só que sem ser pelo efeito de drogas.

Então no meu estado atual das coisas, cada coisa à seu lugar, cá estou, à lutar. Entre disciplina e estudo, entre intuição e escrita, entre a fala e o silêncio, entre eu e Fatihah. Somos a espada e o escudo, protegendo a semente de silêncio e vazio que cresce por entre flores e prédios, ou semente de je-ne-sais-pas-quoi

Depois que conheci o monge disfaçardo, a conversa e as linhas não visíveis dessas terras fluíram um pouco mais rápido em meus jardins. Abençoados traços tortos de Deus. Preciso de força, veja como oscilo, é tudo que faço, eu oscilo: vejo, não vejo, sou, não sou. E eis que toda qualquer informação, abençoado sejam os animes, filmes, artes marciais, danças, livros e doutorados, são símbolos fortes o suficiente, para me trazer ao caminho que sou. E, porque resolvi me aventurar sozinha por territórios de linguas estrangeiras, preciso de força. Então conversamos e não consersamos sobre força, e não força. No yin e no yang, no vazio e no mundo, no tudo-é-a-mesma-coisa, mas somos à semelhança de Deus e, portanto, nosso comando, cria mundos. Preciso de força, para criar-me estabilidade, e unificar essas persepções por onde trilho, querendo ou não, indepentente de sabermos as verdades desse mundo, é bem melhor viver em paz, e isso, é tipo parar de importar com céus e infernos, ao mesmo tempo em que aprendemos ser atentos o suficiente para qualquer um deles. E isso, putz, que porra é essa?

Então, quieta, em silêncio, já entrando em modo senin, como em naruto, mas sem a história dos sapos... pois bem, estava apenas à assistir os efeitos do Real. O que criamos, em Maia. Já que o mundo é de formas, comuniquemos em formas, então. E de toda comunicação, para tudo o que vim a ser até hoje, como em Avatar-o último mestre do ar..., ficou claro, sou de ar. Ahahah, monge tibetano, você é claramente Terra. E outros que já vi, Àgua e Fogo. E então como brincadeira de criança, os elementos apenas são a ressonância de como agimos, mais ou menos, predomínio das coisas capazes de serem de alguma forma identificáveis, pra ajudar a mente-que-sempre-precisa-de-classificações sobreviver nesse entre-mundo das coisas.

"Para que aterre sua cabeça, precisa de enraizar-se, ora." Tão simples quanto parece. Enraiza-se em todos os seus atos, e pelo alimento que digere. Preciso de legumes. Muito legumes.

E quando pensei que seria apenas isso, as luzes como de festa trance não cessaram, foram aos montes para os olhos daqueles que estão dispostos e abertos para sonhos no Real. O monge tinha uma espécie de guardião, por assim dizer, pois exerce diferentes funções, então não é exatamente um guardião, mas, na falta de uma classificação, o coloco assim, momentaneamente, um demônio domesticado por Buda, que em várias formas, o vi naquela de um urso, enorme, entre o preto e o azul escuro, irônico, ainda que humilde, mas insano, ainda que são, uma bestialidade celestiana, por assim dizer. Como são as criaturas não visíveis desta terra, entre o meio das coisas. Pois bem, o seu guardião, carismaticamente me deu dois imensos guardiões, à minha criação, dois magníficos cães enormes e brancos que me acompanharam nessa história. E enquanto assistíamos aquela dança, formas e mais formas. Vi na minha frente, uma serpente, parecia uma Naja, vindo à mim, e levantando-se, seguida de uma Fenix, magnífica e muito, mas muito colorida, as penas que decorriam de seu rabo, pareciam penas de pavão. E colorindo por todo o campo, um azul ondular de cabelos longos, igualmente azuis, movendo-se como o mar, ao ar de Iemanjá.

Naquela semana muita coisa aconteceu. E quando pensava que meu corpo ia desabar pela minha estupidez de esquecer lições antigas, no meu desespero e ausência de força, eis que me deparo com outra sala sagrada. Límpida, singela, não tinha nada, e muitas janelas, permitindo confundir ambiente interno com as árvores, passaros e luz externa. No momento em que entrei naquela sala sagrada, todo medo se dissipou, e uma voz serena passando pela minha nuca em direção aos meus olhos, me diz "Ne t´inquete pas, ton corp est protegé.". E eu lá, já entrando em modo senin novamente, de novo senti aquela sensação de formigamento na cabeça, bem no meio, mas acima, sensação que me acompanha desde que voltei dos jardins da casa de campo de Gandalf.


No nosso segundo encontro oficial, o "guardião", o urso, veio "pessoalmente". Me perguntei se devia ter medo. Ora, que energia toda era aquela, de uma ironia, selvageria imensa, mas capaz de discernir coisas, tinha também algo de humildade? É porque as coisas são assim, e são como são, e são como queremos que sejam. Voce sabe o que quer? Me avaliava, e não sabia se estava se divertindo. Pelo menos pareceu me aprovar. Ufa, acho que passei no teste, e não será hoje que serei devorada por um urso azul e feroz como leão. Parecia que queria uma resposta. Demorei, mas saquei. Ao mesmo tempo, eu reagia frente as minhas vontades e medos. Queria lhe pedir proteção e que me abrisse o caminho. Meus guardiões, agora  mais de minha criação do que algo que estava vendo, estavam ocupados lidando com tais vontades e medos, tanto que um de meus magníficos e enormes cães brancos, imediatamente se transformou em um cão negro, igualmente enorme, e de ferocidade mais presente, rosnava e sacudia com os dentes, aqueles papeis e vontades. Imediatamente me voltei ao meu pedido. Ora, e não estou aqui para que eu pare de oscilar, me conheça melhor, tenha mais de força e serenidade? Entendi isso pois que lhe desenhei em minha mente uma estrada por entre as árvores numa escuridão colorida de todas as cores possíveis.

Quando acordei, no dia seguinte, estava bem, abri um texto e comecei a estudar.




terça-feira, 7 de junho de 2011

quando foi que pedi um amigo,
e o vento soprou ao meu ouvido?
senti deslizar a solidão por todo o corpo
firulipando arrepios

que idéia toda é essa de existência,
me vejo andando na multidão,
cansada de ter a cabeça no ar
pela primeira vez, quero os pés no chão?

Quero que deseje minha mordida,
quero que sinta vontade de mim,
quero que satisfaça todo meu corpo
que me deixe arranhar pedaços de ti.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ritmo maestro, let.s go.

Posto que estamos aqui agora. O sol arde às costas secas e vermelhas da terra de quem não mais mede esforços para continuar andando. Não resta mais nada, e todo amor só vem com grande dor. Mas veja bem, seu rosto está tranquilo, o que será que mudou? A vida passa como paisagem em janela de carro. A caminhada, como andar de avião, e se treme e balança entre as núvens, também já não importa, não há mais medo de voar, porque não há mais medo de cair, ou de morrer. Já morri tanto, afinal. O tanto faz se fez tão presente que morte e vida são o mesmo. Posto que estamos aqui agora.É certo que música acorda todo nosso organismo, e em jeitos diferentes posso contar minha vida inteira por meio de uma trilha sonora. Das partes emocionantes farei o trailler. Ainda aprecio minha comédia romântica e coragem duradoura de heroína indestrutíva e romântica. Mas posto que estamos aqui agora, vou apreciar sua companhia. Estarei também ausente quando assim for. E aprenderei a não doer, mesmo no amor. Ritmo, maestro. Let´s go.

sábado, 28 de maio de 2011

To fit ot not to fit,
Too fit or not too fit?
Two feet or not to feet?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma de Alika

Inπnito
- de Alika Finotti


Rápido, não se atrase:
Firme, não se apresse.

Vai, colhe os frutos:
já estão maduras
as vinhas de meu conhecimento.

Época de colheita,
pisotear o sumo
saborear fiel cada trecho do sabor.

Sacras ventanias, suspiram
lições da mais destra compaixão.

Sábias implosões, imploram
pela sina que se nutre de êxtase.

Regalados deleites, impõem-se:
o propósito biológico é a luz do gozo.

Graciosas verdades, proclamam,
o prazer é maestro da sinfonia viva.

Não se entende um livro
contando letras,
como não se julga um homem
por seu ato mais extremo.

Leia-se o inexpresso
implícito na riqueza do contexto,

dance-se à lua cheia
que faz a alma mergulhar no ser.
Carpe Urbem!

A cidade respira
mil musas enfastiadas
mil ventres férteis como o roxo.

A cidade transmuta
a agonia da maioria
pelo eterno da exceção.

A cidade enferruja
os pregos e martelos, a bigorna
de toda filosofia de ses e poréns.

Carpe Diem
Carpe Noctem
Carpe Vitæ
Fugere Timore...

Só viverá
além da vida
quem a tiver vivido
como se fosse a única:

a mecânica de suas alegrias
incrustada no código essencial
perdurará como voz que canta

no coração do sonho
a canção altissonante
da fusão de toda herança.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A correnteza

Sou toda aberta,
toda nua,
toda sua.

Meu coração ficou grande demais,
não cabe mais só em mim.

Se me conhece saberá,
e se não, irá só passar por mim,
e jamais saberá da minha existência.

Não sou mais só guerreira,
sou espelho, coração e feiticeira.
Correnteza doce que segue a caminho do mar.

domingo, 15 de maio de 2011

Bem aventurados são os ventos do norte,
pois que apontam e sopram para ti...

"abençoados quentes ventos do norte, que põem abaixo o gelo do inverno e da fraqueza, abrindo espaço pras cores e cantos de pássaros migratórios... " - Alika Finotti

ficou bonito como um poema só, então juntei a minha parte com a do Alika
:)


A poesia e o sátiro

- então, decidi me casar com um mestre zen!
- hmmm. Mas e o sexo?
- o que que tem o sexo?
- ué, o sexo!?
- pois é, né, o sexo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

RumHá

Tum Dum Tum Dum
Ruuuuuummmm Haaaaaaaaa

Tum DUM Tum DUM
Inspiraaaaa, respiraaaa......

TUM dum TUM dum
Rummmmm Haaaaaaaaaaaa

Tum Dum Tum Dum
(Quanto tempo será já passou?)
Rummmmmm Háaaaaaaaa....

TUM dum TUM dum
inspiraaaaaa, respiraaaaa......

Tum DUM Tum Dum
(o que será que devo sentir?)
Rummmmm Ráaaaaaa....

Tum dum Tum DUM
(minhas pernas estão dormentes)
Rummmmm.. Háaaaaaaa......

TUm Dum TUm Dum....
(Frio, fica frio, mas estõu tão quente)
Inspiraaaaaa, Respira.......

Tum dum Tum dum...
(não vejo movimento dos que estão presentes)
RUmmmmm Háaaaaaaa....

(Mas o cachorro chora lá fora)
Tum Dum TUm DUm
(Brasil, o cachorro lá fora)

Rummmmm Háaaaaa!
(Nome curioso para um cachorro)
TUm Dum Tum DUm

Rummmmm Háaaaaaaa
(Não sentir já não me incomoda)
TUm Dum TUm Dum
(meu coração ainda está batendo!)

RUmmmmm Háaaaaaaa
(E nossa, estou cansada de Respirar)
Tum DUm Tum dum

(Quanto tempo será que passou?)
Tum dum Tum dum
(Ficaria aqui o dia inteiro)

Rummmmmm Háaaaaaaaa
(É tão quente e silencioso)
Tum Dum Tum Dum
 (nem quero abrir os olhos)

Rummmm... Háaaaaaaa
(E sei isso também passa...)
Tum Dum Tum Dum....

Rummmmm Háaaaaaaa....

Tum DUM Tum DUm.....

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"APOPTOSES"

de Alika Finotti


À meia-noite
o Dia começa.

...Eu sou aquilo
que se supera a si mesmo.

Por muito tempo
busquei o infinito

até enfim captar
que querer o tudo
era querer o nada...

Por muito tempo
busquei a verdade

até enfim captar
que ela é fria, sem vida

o real obtuso
que não se pode afagar
é seco e estúpido,

mas a ilusão
Ah! a ilusão!
nela tudo que respira tem seu lugar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

I-
Vou pegar seu detalhe mais curioso. Valorizar o que lhe tem de mais sutil. Vou dizer que você tem vida. E que a vida é assim... Você vai se apaixonar por mim. Vou te mostrar o que nem sabia que sentia, e será grandioso ... ...E você vai querer existir...

II-
Mas vou também quebrar os seus encantos. E o seu sorriso será também sua lágrima. Vou dizer que seus amores já não importam. Que verdade e ilusão são sua criação. Não é um cara de barba branca em cima de uma nuvem que toma conta da sua vida. Nem outro com um colete vermelho e face desfigurada no chão que te impulsiona tentações. E se te dissessem que são metáforas de seu próprio ser. Não será nem mesmo novidade, ter o céu e o inferno em si. Fruto da experiência que é. Teu corpo é um espelho que reage ao mundo ao seu redor.

III-
Mas você ainda vai querer existir. Vai saber que saber não é muita coisa. Só saberá que não saber é menos ainda. E você vai querer existir. Sua lágrima será também seu sorriso. Seu machucado serão também suas asas. E você vai querer existir.

IV-
E me dirá para calar a boca. Que saber e não saber, que importa. É tudo farinha do mesmo saco. E que a vida é assim.


terça-feira, 3 de maio de 2011

...


- Será que finalmente cansei de lutar sozinha contra a solidão?

.
.

domingo, 1 de maio de 2011

Quando resolvi cozinhar na provença




Porque sem TPM, não há tempestade em copo d´água... Então porque o mar está calmo, resolvi vir brincar novamente com as palavras. Mas porque o mar está calmo, aprecio a geladeira, pois não tenho nada a dizer. E quando resolvi criar, quem diria, eis a magia da Provença: mãozada de camarão à 1 euro, salmão à 3 euros... e os temperos... ahhh os temperos.... Veja você, ando lutando contra esse tal de hipotireoidismo de metabolismo que não é mais os 20. Aqueles vinte anos de idade em que comia pratos de massa maiores que o do seu (ex) namorado. Ex namorado que, alías, tinha praticamente o dobro do meu tamanho. Sim, eu era uma draguinha e pesava uns 8 kilos a menos do que peso hoje, sendo que hoje como a metade do que comia antes. E eu que pensava que envelhecer era somente perceber que você já é 10 anos mais velha que alguém com quem faz esportes do tipo Kung fu... Nada mais de 2 à 3 crepes seguido de refrigenrantes, doces, pães, ai, os pães... pão de milho, pão de batata...sim os pães...Mas não tem problema... criatividade é de fato uma arma poderosa, e pude aprender isso num dos lugares mais gastronômicos possível... Aspargos, ameixa seca, laranja e morangos... eis os melhores acompanhamentos com camarão e salmão... os pães artesanais integrais são bem vindos... E porque estou aqui, denominei de "prato do mediterrâneo", rs... sim, criatividade 0 no nome... tem também minha "salada provençal", rs... é, de fato, magnífica... folhas variadas e hortelâ, tudo muito bem picado, cenoura, repolho e pepino ralados, uma colher não obrigatória de molho pesto, maçã, pera e laranja picados, damasco também cai muito bem, queijo emental e pedacinhos de pão integral...mistura e mistura e voilá!.... rs... e foi aí que me apaixonei por frutas e verduras...

quinta-feira, 21 de abril de 2011



Sou o estado de espírito que minhas impressões guardam.. Sou o estado de alegria, apesar do se sabe (tristeza)...  Sou o estado de esperança, de calma-tudo-vai-dar-certo, e a disciplina que acorda e ignora todas as minhas reclamações... Sou o caminho que cala toda e qualquer relutância. É uma questão de sobrevivência... Como andar de bicicleta com um olho enfaixado...sou o passo, o ritmo, a dança.

epistemologia intuitiva?

Intuição parece ser um largo quadro de guardar informações e associar impressões com informações guardadas, mediante uma metodologia de se afastar o máximo possível os preconceitos próprios de qualquer interpretação.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

em uma tarde com água e sabão...



Não queria mais resistir....encostei a vida de lado para assistir... assistia os sonhos que passavam um à um nesses balões que a gente cria quando junta água e sabão e sopra....como uma maravilha estúpida de agir em prol da beleza... Porque queria criar magia e causar a transparência que tomam formas coloridas no ar, basta jogar-lhes luz.... a vida parece-lhes tão fácil... como brincadeira de criança...colorir, deslumbrar, engrandecer, criar, encantar... queria sentir o espaço daquele tempo entre o desejo e ação... expectativa... queria flutuar cada detalhe, cada colorido...como uma vida que, por um fio, é bela, perfeita, magnífica, e frágil...


Aconteça - De Tales Tomazett

mamãe nao exige que voce ande engomadinho, muito pelo contrario, ela te deixa muito livre pra ser esquisito à vontade. Quanto ao resto das coisas, voce se confunde e comete o mesmo erro todas as vezes: julgar-se e julgar as pessoas pela aparencia. Me espanta isso: logo voce que é um cara tão cabeça ter uns pensamentos tão infantis...

O mundo não se divide entre as pessoas boas e as pessoas bem vestidas, para com essa mania de achar que todo mundo acha que você é um renegado. Doce ilusão a sua de pensar que as pessoas tem tanto tempo assim pra gastar pensando em você. A verdade é que cada um vive de acordo com suas proprias regras, e você so quer ir contra as regras. Crie suas proprias regras e comece a viver de verdade, para de falar do que você não conhece. Começa cara. Você so vê as coisas pelo lado de fora. Criticar é sempre mais facil que fazer. A BMW é muito mais carro que a Brasilia, muito mais confortável e boa de dirigir, alem disso não vai te deixar na mão quando chover. Não seja hipócrita, você tambem quer a BMW. Um hippie pode te trair um dia e um cara de terno pode salvar sua vida. Quando você deixar de olhar pras roupas e começar a olhar pras ações voce vai ver que alguns preconceitos são ridículos e outros são justificáveis....

Quanto ao status, realmente, muitos o buscam, mas não eu por exemplo nunca quis fazer engenharia pelo status mas por outros motivos. Depois que entrei la, passei a respeitar mais as pessoas que se formaram como engenheiros, pois é uma conquista realmente dificil. Respeito. Depois que você tiver conquistado o que você busca, depois que tiver experimentado na pele as coisas sobre as quais você tanto fala, você vai ver a diferença entre o real e o que parece real.

Não gaste tanto tempo nadando contra a corrente. Escolha um ponto e nade até ele, independente do resto.
 
http://ttomazett.blogspot.com/2010/10/aconteca.html
 
: )

That´s life - De Tales Tomazett

aquele beijo na boca da sorte de quem tem alguem por quem demorar pra ir deitar. salve a determinação de quem não tem escolha, e mais ainda a de quem tem. no rala só tem uma saída. na energia tem o segredo de não se preocupar com correr ou andar, mas apenas seguir no rítimo que o passo pede.

ta, entre tudo e nada se encontra o que ele eu e nós ja sabemos. não importa, mas que vale a pena comentar quando se sorri à toa, isso vale.

aquela janelinha de vida tá enchendo os olhos mesmo, e de vida mesmo é que a chamo, só que em inglês que é muito mais flow. Life.
  http://ttomazett.blogspot.com/2011/03/thats-life.html

domingo, 17 de abril de 2011


Não tenho cartas a colocar no correio. Também não abro mais portas para venderodes de livros usados. O novo já não está presente. A repetição preenche dias, cartas, portas, livros.
Soube que a solidão seria assunto insolente. Soube que teria palavras a dizer, e ninguém a escutar. Soube que podia gritar, e as vezes me pergunto quando foi que silenciei.
As vezes eu detesto o dia em que aprendi a viver sozinha. Que tantas outras informações com o tempo se tornam complicadas demais para se respirar. Já não sei a quem magoo quando me afasto então para puxar o ar. Nunca há volta. Uma coisa nunca o é duas vezes. Pode ser melhor, pior ou não ser. Existência não é muita opção. Mas ainda bem que o pessimismo é igual ao otimismo...pode sempre dar o ar do gosto do dislumbre a cada por do sol, toques e cheiros. Lojas de perfumes, flores, padarias sempre me agradam. Assim como o céu colorido ao crepúsculo e um toque seu em meu pescoço, seguido por uma mordida sua. Para alguém que gosta de toques e esbarrões, deveria doer estar assim longe da humanidade.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Epistemologia difícil do tudo e do nada

Se fosse contar uma história sobre o nada, como o faria? Traria exemplos daquilo que o nada não é. Mas o que o nada não é? Tudo que preencho com palavras não é o nada, mas o nada o é.
Se fosse contar uma história sobre o tudo, como o faria, sem perder nada? Traria exemplos daquilo que o tudo não é. Mas o que o tudo não é? Nada que preencho com palavras não é o tudo, mas o tudo o é.
Talvez então eu falaria nada, e aí então assim, eu diria tudo...

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Esfolações" Alika Finotti

"Esfolações"
Alika Finotti

Eu gosto de gente
que caga cheiroso.

Quero minhas bocetas
com sabores doces, neutros,
quero cus rosas e tenros
tesão que escorra como mel.

Homem que é homem
sabe gozar sem esporrar,
vira e mexe quer espancar
o motoqueiro filho da puta
que passa pela calçada das velhinhas.

Eu gosto de gente
que caga um cocô agradável,
porque sabem se alimentar.

Quero gente que bebe água
mesmo quando não tem sede,
porque um espírito desidratado
já perdeu a habilidade da sede.

Eu quero amigos
que sabem passar fome,
ouvir as entranhas roncarem
antes de se preocuparem em comer.

Quero meu caralho bem duro
vergonhosamente no ponto de ônibus,
quero chutar todos os imbecis
que encaram outros homens pelas ruas
porque são uns mal resolvidos.

Eu quero um amor cheio de maldade,
indiferente pra quase tudo que dói.

Quero o amor violento e desatinado,
que vai tão veloz quanto chega,
que se nutre de ódio
e tem memória curta
pra tudo que é nostálgico e melancólico.

Eu quero poder enfiar uma porra de um palavrão aqui,
sem perder minha autoridade.

Um bom poeta sabe mandar se foder
e tomar bem fundo no rabo.

Um bom poeta sabe desprezar
mesmo àquilo que certa vez venerou.

Minha felicidade é uma ofensa
mas ainda enfio o dedo sujo na ferida.

Pro inferno com toda essa baitolagem
de direitos iguais, equanimidades.

Sou leão e águia,
desprovido de piedade
desprovido de empatia,
porque já bastam minhas tripas pra cuidar.

Sou as hienas agarrando o gnu decrépito da cultura
pelos tornozelos, roendo as canelas resistentes do gado
até que venha abaixo e me sirva de refeição
vertiginosa e sanguinolenta.

Eu gosto de gente que mija claro
e que fala grosso, puta merda.

Quero amigos com quem eu possa digladiar,
que ponham em perigo meu reinado imaginário,
que me atinjam tanto quanto acariciam,
que planejem roubar minha coroa de lírios na madrugada.

Quero a insônia por ficar sem maconha,
e depois a insônia por voltar a fumá-la.

Quero homens que saibam
o que é a morte em vida,
que tenham encarado seu minotauro
e feito berrantes de seus chifres.

Quero minha madeleine desconhecida,
minhas origens caóticas e absurdas,
minha loucura juvenil e todo esplendor de seus acasos.

Tenho asas de platina fumegante,
sou anjo lascivo e mortal,
um santo entorpecido
justificando a existência e todo seu horror.

Engula-me a seco,
ou com uma golada de copaíba,
mas não me guarde no bolso,
não sou moedinhas e trocados nem lenços escarrados.

Crave-me no peito
como um talismã de diamante,
incrustado profundamente em teu mole coração,
pra que tenha em ti traços do poder.

Foda-se a estética,
a moral e os costumes.
Foda-se a arte e a ciência
deste bando de urubús fétidos
e suas apólices semióticas,
esses professores de bosta,
kantianos punheteiros, putanheiros,
que acham que entendem qualquer coisa
em suas azedas delicadezas cabaçonas
e morféticas de falsa inocência.

Gosto de quem
caga cheiroso.

O resto,
é só o resto...

Alika Finotti


No egoísmo da escrita,
só meu lado egoísta quer dizer poesia.
Só meu lado egoísta quer compartilhar esse mundo que vejo.

Só um lado egoísta é capaz de querer,
e assim dissipar todo altruísmo,
dando-lhe formas e contornos.

sábado, 26 de março de 2011

Meu talismã é minha fé na vida.
Por isso meu primeiro direito inabdicável
 é minha tranquilidade para com cada situação
 em que sou obrigado a questionar a mim mesmo que caminho escolher a seguir.
 São infinitos caminhos trilháveis;
 inclusive são infinitos caminhos trilháveis ao Futuro:
 então meu dogma vai sempre ser a crença na inalienável suculência do tesão de viver que a própria Vida sente em cada instante.
 O velejador - Alika Finotti

Quando me deu o presente, sempre soube que era porque ia seguir. Chamou-se vida e pum - desapareceu. Felizes são as noções de que está bem. E seus sonhos, que alegria, virão até você. Sobraram mandalas de lembranças de um tempo que já não volta mais. Coloridas. Boas lembranças. Esperanças de uma próspera e boa sintonia para os próximos esbarros. Não dá pra esperar nada dos amigos: é a única forma de poderem oferecer tudo à gente. Quis o infinito, corri eternamente. Aquela coisa do não saber explicar, que tudo não faz sentido, mas é absolutamente perfeito.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Vejam todos, agora somos crescidos.

Vejam todos,
somos agora filhos formados,
construídos,
no gosto traçado do mundo,
orgulhosos de sonhos maiores.

Somos agora os fortes,
respeitados,
temos diplomas,
somos queridos.

Vejam todos,
agora temos amigos,
namorados,
e bichos de estimação.
E rezamos aos domingos.
Felizes no sonho do mundo,
filhos bem criados,
somos crescidos.

Vejam todos,
soltamos a mão materna
e andamos de bicicleta sem rodinha,
ousamos aprender mais que o futebol e o balé,
agora vamos analisar quadros econômicos
para mudar o status quo.

Vamos fazer diferente,
dessa vez seremos melhor,
não vamos esperar guerras,
para impor direitos humanos,
também não esperaremos o mundo derreter,
nem florestas queimarem, nem animais acabarem:
salvaremos a nossa biodiversidade,
resgataremos nossas culturas à beira de extinção.

Agora temos modelos sustentáveis,
modelos eco-responsáveis,
temos o ecodesenvolvimento, temos o etnodesenvolvimento.

Temos a propriedade intelectual, a OMC, o mercado livre,
Estados e organizações não governamentais
e nossas empresas (juram?) que buscam negócios sustentáveis.

Temos a pluridade jurídica,
o ICSID e a arbitragem.
Enfrentemos o globalismo localisado
o localismo globalizado,
supereremos a globalização.
Seremos capazes do mundo inteiro
do mundo forte que somos.

Salvaremos nós, de nós mesmos?
agora que os tempos são outros?
que somos seres racionais?
Agora somos seres racionalizados.

Caio na crítica da poesia que sou.

quinta-feira, 24 de março de 2011

à lá nona sinfonia

uma a uma as notas se arranjam, estavam ali levemente postas. Suavemente batidas, sopradas. Domadas. O Ar ganhou força, rabiscara seus ouvidos. E um estrondo imenso a seguir-te toque, inversa o passo... Conhecia, estavam ali, de algum lugar, arrepiaria aquele frio atrás da orelha frente sua maestria que em silêncio quedava à escutar. Um toque e inspira, outro, e sente, e mais outro, e solta o ar... são misturas de choques, ondas, relâmpagos?, e suaves como asas de beija-flor... Como pode? pergunto e penso? como pôde? conseguira opinar o mais belo sopro divino, majestosa luz a cair, iluminar, resplandecer, purificar, eis que encontra-se na mais perpétua e perplexa estupefagem e depuração... Canta e orquestra os belos e tristes do mundo, tudo é poesia... e centra-se nessa terra umbralina. É como colocar asas em demônios. O desafio do homem magro é comer. E o do servo é servir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Estou perdendo as palavras. Uma a uma fogem de mim. O quanto afastei o mundo? O quanto se afastou de mim. Ainda que não me importe com a falta de reconhecimento com identidades antes marcantes, choro a tristeza do desapego. Mas chega, esses estados depressivos também me enervam, prefiro mudar de assunto. Andei relendo capítulos do velejador, e acho que por isso me veio essa ânsia de vomitar palavras. Preciso escrever, colocar em cheque, degradar e soprar e depois fazer desse papel um leque para abanar o calor que essa França ainda não faz. Se parar, terei sido inútil comigo mesma, mesmo que não esperasse alguma utilidade. E pronto, meu computador agora fica acusando a não genuidade do seu Windows, como se eu soubesse o que fazer a respeito. Não sei formatar computadores, não sei raquear contas de emails, e só não esqueço as senhas que uso o tempo todo. Se me tirar a rotina, é como se nunca tivesse existido o cadeado que formei pensando em alguma data importante, achando que ia ser brilhante o suficiente para lembrar a mistura de dias especiais específicas ou palavras curiosas que juntei ao dizer “dessa senha eu vou lembrar”.

Não que eu seja metódica, mas minha memória é seletiva, não muito confiável. Uma Dolly, talvez, ou surtos de perda de memória recente para o fenômeno mais conhecido como falta de atenção. Só garanto que não esqueço as coisas que falo para as pessoas, pelo menos de uns 3 anos pra cá, quando comecei a medir as conseqüências que boto no mundo. E nada adianta, aliás, cada um vê o mundo e as coisas como querem e conseguem. Posso não ter falado nada que ainda será possível que acredite que eu tenha falado. Não que eu me julgue importante, não é isso, mas falar é arriscar colocar nome aos bois, ligar causas a conseqüências múltiplas e inimagináveis. Mas já cansei também de medir conseqüências pelas interpretações dos outros, posso descrever minha blusa cor de vinho predileta, ainda tem gente que vai dizer que é vermelha ou marrom, ou que a sua religião não permite. E eu nem queria tudo isso, mas sinto essa necessidade de falar, fazer o que.. é que só depois de chegar a exaustão, normalmente o silêncio me reina. E gosto do silêncio. Tenho treinado para melhorar. Aprendi um pouco da lição, hoje falo mais é pras paredes...

É certo que ainda falo muita besteira, e se se levar a sério demais, pode ser um problema. Depressão é um estado fácil de ser alcançado, se se leva a sério demais. E francamente, depressão é um saco e faz a gente perder tempo e a beleza desse mundo. Química, freqüência e hormônios causam dependência, é a forma que conduz o corpo no mundo, e se se confundir com o seu humor, corre sérios riscos de se perder nas identidades do mundo. Beba com moderação. Então pode ser certo que o que eu falo é errado, não importa e tanto faz. Falar é o ato de guiberichar por excelência, coincidência ou não. Também posso inventar uma desculpa biológica, afinal já ouvir dizer que a mulher concentra duas regiões da sua cabeça para o ato da fala

domingo, 20 de março de 2011


      "O cotidiano é nossa vida inteira que colocamos num aquário como um peixe:
se der comida demais,estoura; se não limpar as paredes-janelas, morre sufocado mesmo sabendo respirar debaixo d’água. - O Velejador - Alika Finotti"


Já abriu os olhos dentro da piscina?
é algo assim, mas do avesso,
de dentro pra fora, e não de fora pra dentro...
tudo fica embaçado, eventualmente,
um incômodo meio que impertinente...
Hora de jogar o lixo pra fora...
Primeiro jogam-se as formas no tabuleiro,
com olhar afiado, como de lobo e presa,
fucinho erguido, e todo o seu extinto à tona:
observe todas as formas, signos e estigmas que consegue identificar,
force-as pra fora, talvez nem seja algo bonito de se ver...
está destruindo suas próprias verdades, afinal...
não precisa assustar, é simplesmente botar o lixo pra fora...
parar de se apegar no que não presta...
e como uma 'boa filosofia oriental', rs...
resta-lhe o bom e velho espaço vazio....
o presente finalmente ganha a sua forma
e você, que nasce novamente,
pode de novo acumular seja o que for,
há no mundo belezas e tristezas,
como quiser enxergar, na medida do que puder enxergar...
e sempre que preciso... bote o lixo pra fora...

como o Velejador, acho talvez que
sempre vale a pena também rever Peacefull Warrior, Irmão Sol Irmão Lua, V for Vendetta, rs...
ter algumas doses de ioga, aikido, neikung e kung fu, rs... 
 meditações do osho  (rs, ajuda ué..rs)
e o bom e velho guiberichar...

sábado, 19 de março de 2011

...

Foi em um sonho (ou seria realidade?), que um desenho me contou... Seus personagens, como sempre, guerreiros, não tontados pelas batalhas que (sou?)... Pois não se engane, esse mundo - que feito de formas - quer te iludir de significados.... E você - que não cai em si - cai, ... feito um patinho...

Os sonhos do mundo sopram e ascendem, tão diversos fogos quanto possíveis...





foto antiga... 2008... Paris...
vou desaparecendo..
..deixando de existir...

pra puta que pariu,
todo esse tormento,
mesmo que gritar cansa,
o triste que sobra,
cansa mais...

vou desaparecendo..
deixando de existir...

se paguei pra ver até onde iria
por pouco, não me soltaria
mas soltara, vai saber porque

saber, aparentemente não basta,
ser humano é contato físico,
o resto, é ficcão...

vou desaparecendo...
deixando de existir...

à passos largos,
meus comprimentos,

fui incapaz do sonho
que tolos, me trouxeram a ti

se quer dançar,
siga comigo...


terça-feira, 15 de março de 2011

ao tardar a noite

Não suporto a idéia do adeus, meu amor,
é assim pra sempre...
Também não poderia me apegar à você
e continuar eu mesma...

Me agarro ao que chamam humanidade,
deixo sentir e correr o desespero.

É insustentável não ter-te comigo,
e te ter, é inconsolável ao ser,
que deixo de ser, contigo.

És o inalcançável,
e eu, o que me falta abrigo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

sinta, meu amor

Deixe-me, meu amor, ver por seus olhos
suave toque com que transformas
tão belas lágrimas em triste canção

Pois eis que eu carrego em suas mãos
os nossos sonhos desfigurados
como um leito de rio em vão..

Sinta, meu amor, a minha ausência
aborrecendo os teus encantos
te colocando assim aos prantos
pois que burrice não saber chorar..

Veja, meu amor, meus olhos choram
suas lágrimas tão tolas tomam
o meu espaço por ti foi levado
nesse rio que corre sem cessar...

viajante

Para todos aqueles contra,
e também à favor,
eis que tanta filosofia pode cansar,
se nem livre arbítrio, afinal, há...
que escolha a gente tem se vamos agir exatamente no que somos...

Para tantos contras e à favores
decepção, é palavra inexistente,
se o único vocabulário que persiste
é existir...

Não espere nada de ninguém
e assim pode ter tudo e o mundo inteiro,
as pessoas são o que são
e no que são, dão o melhor que podem...

viajante...
sempre soube que um dia iria embora...
have a nice walk...

quinta-feira, 3 de março de 2011

coisa de moletom

Hoje coloquei meu moletom vermelho, cor vinho... rs, tem uma ponta de lã bem macia que chega até os dedos, deixando a mão saber que está bem quentinha ... e a gola também de lã, chega até a orelha, e me vem aquela singela noção de aconchegante... minha mãe que me deu esse moletom... impressionante como ela não pensa duas vezes quando se trata de ser mãe, me deu esse moletom, que era o dela, mesmo já tendo me dado o meu, que é azul, cor de lapis lazuli...ela sempre me fazem lembrar de  gandhi explicando o amor pelo conceito de mãe,... quando diz que uma mãe não durmiria em um chão molhado, mas o faria com prazer se fosse para deixar seus filhos dormirem na cama seca... Por isso o moletom, eu acho, uso esse moletom quando quero alcançar o máximo de aconchego (ainda que inconscientemente) rs,... uma espécie de estar confortável comigo mesma ao ponto de poder relaxar,de poder dizer 'ta tudo bem, tá tudo certo, every one is just fine' , rs como se pudesse colocar de lado o 'prestar atenção em tudo o tempo todo', por alguns instantes...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

golfos

Cada poesia golfada,
parece ato de desespero humano

surpreendentemente..
Coração bate..
peito enche de ar,
estou viva...

Algo assim

Em morar longe de todo mundo,
Calejar é um estado de sobrevivência do coração:
Doi até não poder mais, até cansar,
pra então, finalmente,
simplesmente fazer o que resta fazer:
seguir...

Daí depois é até simples,
a vida é como é,
é possível se tirar o melhor que se pode:




Viajar e ver como é a vida nos quatro cantos do mundo,
ver os costumes, pessoas, histórias, trens, coisas velhas...
Arrepiar e surpreender-se...

É possível se ver beleza em tudo,
a primavera colabora,
aqui já estão nascendo flores de cerejeira..

Viver é ver o todo, o inteiro, o presente que se mostra,
dançar com seus defeitos...

É maravilhoso, mas doi,
parece incompleto o cenário,
como se estivesse faltando algo..

Talvez seja porque a gente queira compartilhar
coisas belas com quem a gente ama,
como se às vezes cansasse ver tanta coisa bonita sozinha.
Mesmo que isso ainda tenha lá sua beleza e poesia...


O Calejar então,
vai indo com uma singela sensação de calma e felicidade,
mas com medo da ferida se abrir:
um coração mole e quente
coberto por camadas de gelo,
pra evitar a dor da queima
- esse fogo sagaz da vida que arruína qualquer vontade fora do presente...
- como se querer fizesse doer nesse plano...



É tipo uma sensaçãozinha meio constante, sempre lá, calejada, que as vezes abre de novo, pra ter que calejar mais,
pra parar de chorar o coração e voltar a apreciar tantas bençãos...
algo assim... 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sopro

como um sopro só,

tua, a sua vida inteira
lhe age e reage.

Como um sopro só,
tens a paz e a violência,
o apego e a pertinência,
o corpo solto e a existência,
e a insolente ordem desbravada das coisas,
que te faz sofrer, no exato momento em que insistes em pensar...
e que te faz sentir, de acordo com o vento e forma das coisas...

E como um sopro só
A vida, no teu abraço,
se apresenta,
eis que está aí, inteiramente sua,
caprichosa com a forma que tomar,
é você, quem a vida abraça,
e dá-lhe ordem insana de existir

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Palavras palavras palavras

Palavras palavras palavras,
me coloco no meio delas,
cheias, vazias, intensas, insanas..

vou vivendo lendo lendo vivendo.
contos, poesias, teses, livros, monografias, pdfs,
blogs...

palavras palavras palavras,
me coloco no meio delas,
e eis que, no meio delas,
então finalmente me perco,
do mundo me esqueço,
vivendo o lendo...
não existo que não a leitura,
me coloco em palavras,
eis que vejo o silêncio....
.......

Porque queria percorrer o mundo

Porque queria percorrer as palavras do mundo,
queria brincar com seus sonhos e significados,
ver seus sentidos. Mas não apenas isso,
queria sanar a ferida exposta do sofrimento,
livrar-se do ar insano do pensamento,
queria prender a sensação na boca
e dizer o que estava na ponta da lingua,
para que viajassem ao vento,
e deixasse ir, exatamente o que não era seu.

Ao mesmo tempo,
queria confundir-se com o próprio movimento,
Pois que dizer o presente das coisas
não é lá uma tarefa muito fácil,
pra quem vive no mundo da lua.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A polônia

A polonia, até agora, é interessante. Educadas e gentis, as pessoas andam em silêncio na rua, não tem gritaria, não tem música também, ainda que tenha sinais de pubs, mas não é como andar na França, Paris ou Aix, pelo menos. Teve um cara muito esquisito no restaurante. Quando jantávamos, apareceu esse mendigo. Tinha a cara com sangue, uma ferida que descia da testa até o olho, todo inchado, junto com o nariz e o resto de seu rosto. Fedia à bebida. Ele era gordo, velho, alto e corcunda - que nem em filme de terror mesmo. Tinha o olho muito esbugalhado. Ele falou, em polaco, incisivamente, até agressivamente, talvez. Com o rosto em cima de nossa mesa, e aquele corpo grande e corcunda acompanhando seus movimentos, esperava sua resposta, encarando o Pedro. Era realmente assustador aquele olhar servero naquele rosto inchado. Aquela ferida chamava muita atenção. Era mesmo agoniante o quanto ele se demorava em pé, já grudado na mesa, olhando insistentemente pro meu amigo. Quem lhe respondeu foi a namorada do Pedro. Era pedindo dinheiro mesmo. O esquisito é que mesmo após sua resposta, ele ficou ali, parado. Não saia do lugar. Não saía, ficava lá, grudado na mesa. Eu já estava a mil, como se eu tivesse inevitavelmente preparada pra me defender. Como se tivesse certeza que ele iria partir pra cima de mim. Era essa a sensação. Eu fiquei em estado de alerta de tal forma, como eu nunca vi antes. Depois de olhar pro Pedro, tempo demais, ele se virou pra mim, agora era a mim que ele encarava, o rosto e o corpo. E porque meu corpo tava num alerta grande demais, foi inevitável eu olhar nos olhos. Era uma reação minha, instintiva, procurando as reações dele. Procurando saber se realmente iria precisar me defender. Foi uma questão de segundo. Mas isso foi ruim, porque ele parou pra sustentar o olhar. "E pronto", pensei, é agora que ele vai partir pra cima. Então, de imediato tirei o olho, mais atenta ainda, e agora irritada com o que talvez poderia ter sido uma falha minha. Afinal, sustentar o olhar de alguém era permitir e possibilitar que a pessoa permaneça ali. Ele continuou lá, uns longos segundos ou mais. Finalmente se afastou da mesa, mas ainda ficou parado ali. Olhou em volta, tornando as costas, sua corcunda, acompanhando a direção de seu passo e finalmente saiu do restaurante. A Monika explicou que na Polônia, principalmente em Cracóvia, existem muitos abrigos e lugares em que servem comida para os mendigos. Cracóvia é conhecida por esses abrigos. Foi realmente uma situação esquisita.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quero palavras,
valorizar o ser, o não ser, o tecer:
Vida em pedaços,
- sete ( pois assim é cabalístico).
E assim poder contar,
julgar o ser,
o não ser e o tecer.
Pois assim tem sentido.
(- como afinal, viver sem sentido? Tem que fazer sentido, né...)
Tem que se ligar ações,
ações e mais ações,
presente, passado, futuro,
causas e consequências...
..Mente insana que funciona à silogismo...

Quero,
portanto,
o silêncio...
E a primavera cresce...

sábado, 29 de janeiro de 2011

...
rs...
tive q roubar a foto,
foto tirada por Bia, em NY
:)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.