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segunda-feira, 21 de março de 2011

Estou perdendo as palavras. Uma a uma fogem de mim. O quanto afastei o mundo? O quanto se afastou de mim. Ainda que não me importe com a falta de reconhecimento com identidades antes marcantes, choro a tristeza do desapego. Mas chega, esses estados depressivos também me enervam, prefiro mudar de assunto. Andei relendo capítulos do velejador, e acho que por isso me veio essa ânsia de vomitar palavras. Preciso escrever, colocar em cheque, degradar e soprar e depois fazer desse papel um leque para abanar o calor que essa França ainda não faz. Se parar, terei sido inútil comigo mesma, mesmo que não esperasse alguma utilidade. E pronto, meu computador agora fica acusando a não genuidade do seu Windows, como se eu soubesse o que fazer a respeito. Não sei formatar computadores, não sei raquear contas de emails, e só não esqueço as senhas que uso o tempo todo. Se me tirar a rotina, é como se nunca tivesse existido o cadeado que formei pensando em alguma data importante, achando que ia ser brilhante o suficiente para lembrar a mistura de dias especiais específicas ou palavras curiosas que juntei ao dizer “dessa senha eu vou lembrar”.

Não que eu seja metódica, mas minha memória é seletiva, não muito confiável. Uma Dolly, talvez, ou surtos de perda de memória recente para o fenômeno mais conhecido como falta de atenção. Só garanto que não esqueço as coisas que falo para as pessoas, pelo menos de uns 3 anos pra cá, quando comecei a medir as conseqüências que boto no mundo. E nada adianta, aliás, cada um vê o mundo e as coisas como querem e conseguem. Posso não ter falado nada que ainda será possível que acredite que eu tenha falado. Não que eu me julgue importante, não é isso, mas falar é arriscar colocar nome aos bois, ligar causas a conseqüências múltiplas e inimagináveis. Mas já cansei também de medir conseqüências pelas interpretações dos outros, posso descrever minha blusa cor de vinho predileta, ainda tem gente que vai dizer que é vermelha ou marrom, ou que a sua religião não permite. E eu nem queria tudo isso, mas sinto essa necessidade de falar, fazer o que.. é que só depois de chegar a exaustão, normalmente o silêncio me reina. E gosto do silêncio. Tenho treinado para melhorar. Aprendi um pouco da lição, hoje falo mais é pras paredes...

É certo que ainda falo muita besteira, e se se levar a sério demais, pode ser um problema. Depressão é um estado fácil de ser alcançado, se se leva a sério demais. E francamente, depressão é um saco e faz a gente perder tempo e a beleza desse mundo. Química, freqüência e hormônios causam dependência, é a forma que conduz o corpo no mundo, e se se confundir com o seu humor, corre sérios riscos de se perder nas identidades do mundo. Beba com moderação. Então pode ser certo que o que eu falo é errado, não importa e tanto faz. Falar é o ato de guiberichar por excelência, coincidência ou não. Também posso inventar uma desculpa biológica, afinal já ouvir dizer que a mulher concentra duas regiões da sua cabeça para o ato da fala

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