____________________________________________________

____________________________________

domingo, 27 de fevereiro de 2011

golfos

Cada poesia golfada,
parece ato de desespero humano

surpreendentemente..
Coração bate..
peito enche de ar,
estou viva...

Algo assim

Em morar longe de todo mundo,
Calejar é um estado de sobrevivência do coração:
Doi até não poder mais, até cansar,
pra então, finalmente,
simplesmente fazer o que resta fazer:
seguir...

Daí depois é até simples,
a vida é como é,
é possível se tirar o melhor que se pode:




Viajar e ver como é a vida nos quatro cantos do mundo,
ver os costumes, pessoas, histórias, trens, coisas velhas...
Arrepiar e surpreender-se...

É possível se ver beleza em tudo,
a primavera colabora,
aqui já estão nascendo flores de cerejeira..

Viver é ver o todo, o inteiro, o presente que se mostra,
dançar com seus defeitos...

É maravilhoso, mas doi,
parece incompleto o cenário,
como se estivesse faltando algo..

Talvez seja porque a gente queira compartilhar
coisas belas com quem a gente ama,
como se às vezes cansasse ver tanta coisa bonita sozinha.
Mesmo que isso ainda tenha lá sua beleza e poesia...


O Calejar então,
vai indo com uma singela sensação de calma e felicidade,
mas com medo da ferida se abrir:
um coração mole e quente
coberto por camadas de gelo,
pra evitar a dor da queima
- esse fogo sagaz da vida que arruína qualquer vontade fora do presente...
- como se querer fizesse doer nesse plano...



É tipo uma sensaçãozinha meio constante, sempre lá, calejada, que as vezes abre de novo, pra ter que calejar mais,
pra parar de chorar o coração e voltar a apreciar tantas bençãos...
algo assim... 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sopro

como um sopro só,

tua, a sua vida inteira
lhe age e reage.

Como um sopro só,
tens a paz e a violência,
o apego e a pertinência,
o corpo solto e a existência,
e a insolente ordem desbravada das coisas,
que te faz sofrer, no exato momento em que insistes em pensar...
e que te faz sentir, de acordo com o vento e forma das coisas...

E como um sopro só
A vida, no teu abraço,
se apresenta,
eis que está aí, inteiramente sua,
caprichosa com a forma que tomar,
é você, quem a vida abraça,
e dá-lhe ordem insana de existir

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Palavras palavras palavras

Palavras palavras palavras,
me coloco no meio delas,
cheias, vazias, intensas, insanas..

vou vivendo lendo lendo vivendo.
contos, poesias, teses, livros, monografias, pdfs,
blogs...

palavras palavras palavras,
me coloco no meio delas,
e eis que, no meio delas,
então finalmente me perco,
do mundo me esqueço,
vivendo o lendo...
não existo que não a leitura,
me coloco em palavras,
eis que vejo o silêncio....
.......

Porque queria percorrer o mundo

Porque queria percorrer as palavras do mundo,
queria brincar com seus sonhos e significados,
ver seus sentidos. Mas não apenas isso,
queria sanar a ferida exposta do sofrimento,
livrar-se do ar insano do pensamento,
queria prender a sensação na boca
e dizer o que estava na ponta da lingua,
para que viajassem ao vento,
e deixasse ir, exatamente o que não era seu.

Ao mesmo tempo,
queria confundir-se com o próprio movimento,
Pois que dizer o presente das coisas
não é lá uma tarefa muito fácil,
pra quem vive no mundo da lua.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A polônia

A polonia, até agora, é interessante. Educadas e gentis, as pessoas andam em silêncio na rua, não tem gritaria, não tem música também, ainda que tenha sinais de pubs, mas não é como andar na França, Paris ou Aix, pelo menos. Teve um cara muito esquisito no restaurante. Quando jantávamos, apareceu esse mendigo. Tinha a cara com sangue, uma ferida que descia da testa até o olho, todo inchado, junto com o nariz e o resto de seu rosto. Fedia à bebida. Ele era gordo, velho, alto e corcunda - que nem em filme de terror mesmo. Tinha o olho muito esbugalhado. Ele falou, em polaco, incisivamente, até agressivamente, talvez. Com o rosto em cima de nossa mesa, e aquele corpo grande e corcunda acompanhando seus movimentos, esperava sua resposta, encarando o Pedro. Era realmente assustador aquele olhar servero naquele rosto inchado. Aquela ferida chamava muita atenção. Era mesmo agoniante o quanto ele se demorava em pé, já grudado na mesa, olhando insistentemente pro meu amigo. Quem lhe respondeu foi a namorada do Pedro. Era pedindo dinheiro mesmo. O esquisito é que mesmo após sua resposta, ele ficou ali, parado. Não saia do lugar. Não saía, ficava lá, grudado na mesa. Eu já estava a mil, como se eu tivesse inevitavelmente preparada pra me defender. Como se tivesse certeza que ele iria partir pra cima de mim. Era essa a sensação. Eu fiquei em estado de alerta de tal forma, como eu nunca vi antes. Depois de olhar pro Pedro, tempo demais, ele se virou pra mim, agora era a mim que ele encarava, o rosto e o corpo. E porque meu corpo tava num alerta grande demais, foi inevitável eu olhar nos olhos. Era uma reação minha, instintiva, procurando as reações dele. Procurando saber se realmente iria precisar me defender. Foi uma questão de segundo. Mas isso foi ruim, porque ele parou pra sustentar o olhar. "E pronto", pensei, é agora que ele vai partir pra cima. Então, de imediato tirei o olho, mais atenta ainda, e agora irritada com o que talvez poderia ter sido uma falha minha. Afinal, sustentar o olhar de alguém era permitir e possibilitar que a pessoa permaneça ali. Ele continuou lá, uns longos segundos ou mais. Finalmente se afastou da mesa, mas ainda ficou parado ali. Olhou em volta, tornando as costas, sua corcunda, acompanhando a direção de seu passo e finalmente saiu do restaurante. A Monika explicou que na Polônia, principalmente em Cracóvia, existem muitos abrigos e lugares em que servem comida para os mendigos. Cracóvia é conhecida por esses abrigos. Foi realmente uma situação esquisita.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quero palavras,
valorizar o ser, o não ser, o tecer:
Vida em pedaços,
- sete ( pois assim é cabalístico).
E assim poder contar,
julgar o ser,
o não ser e o tecer.
Pois assim tem sentido.
(- como afinal, viver sem sentido? Tem que fazer sentido, né...)
Tem que se ligar ações,
ações e mais ações,
presente, passado, futuro,
causas e consequências...
..Mente insana que funciona à silogismo...

Quero,
portanto,
o silêncio...
E a primavera cresce...