A polonia, até agora, é interessante. Educadas e gentis, as pessoas andam em silêncio na rua, não tem gritaria, não tem música também, ainda que tenha sinais de pubs, mas não é como andar na França, Paris ou Aix, pelo menos. Teve um cara muito esquisito no restaurante. Quando jantávamos, apareceu esse mendigo. Tinha a cara com sangue, uma ferida que descia da testa até o olho, todo inchado, junto com o nariz e o resto de seu rosto. Fedia à bebida. Ele era gordo, velho, alto e corcunda - que nem em filme de terror mesmo. Tinha o olho muito esbugalhado. Ele falou, em polaco, incisivamente, até agressivamente, talvez. Com o rosto em cima de nossa mesa, e aquele corpo grande e corcunda acompanhando seus movimentos, esperava sua resposta, encarando o Pedro. Era realmente assustador aquele olhar servero naquele rosto inchado. Aquela ferida chamava muita atenção. Era mesmo agoniante o quanto ele se demorava em pé, já grudado na mesa, olhando insistentemente pro meu amigo. Quem lhe respondeu foi a namorada do Pedro. Era pedindo dinheiro mesmo. O esquisito é que mesmo após sua resposta, ele ficou ali, parado. Não saia do lugar. Não saía, ficava lá, grudado na mesa. Eu já estava a mil, como se eu tivesse inevitavelmente preparada pra me defender. Como se tivesse certeza que ele iria partir pra cima de mim. Era essa a sensação. Eu fiquei em estado de alerta de tal forma, como eu nunca vi antes. Depois de olhar pro Pedro, tempo demais, ele se virou pra mim, agora era a mim que ele encarava, o rosto e o corpo. E porque meu corpo tava num alerta grande demais, foi inevitável eu olhar nos olhos. Era uma reação minha, instintiva, procurando as reações dele. Procurando saber se realmente iria precisar me defender. Foi uma questão de segundo. Mas isso foi ruim, porque ele parou pra sustentar o olhar. "E pronto", pensei, é agora que ele vai partir pra cima. Então, de imediato tirei o olho, mais atenta ainda, e agora irritada com o que talvez poderia ter sido uma falha minha. Afinal, sustentar o olhar de alguém era permitir e possibilitar que a pessoa permaneça ali. Ele continuou lá, uns longos segundos ou mais. Finalmente se afastou da mesa, mas ainda ficou parado ali. Olhou em volta, tornando as costas, sua corcunda, acompanhando a direção de seu passo e finalmente saiu do restaurante. A Monika explicou que na Polônia, principalmente em Cracóvia, existem muitos abrigos e lugares em que servem comida para os mendigos. Cracóvia é conhecida por esses abrigos. Foi realmente uma situação esquisita.
é nessas horas que eu costuma dizer: "BRIIIISAA!"... essa troca de energias foi extrema... complicado é quase a 'obrigação' de ajudar por que voce 'escolhido' naquele momento... mas com certeza valeu pela história! :D beijos!
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