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sábado, 26 de março de 2011

Meu talismã é minha fé na vida.
Por isso meu primeiro direito inabdicável
 é minha tranquilidade para com cada situação
 em que sou obrigado a questionar a mim mesmo que caminho escolher a seguir.
 São infinitos caminhos trilháveis;
 inclusive são infinitos caminhos trilháveis ao Futuro:
 então meu dogma vai sempre ser a crença na inalienável suculência do tesão de viver que a própria Vida sente em cada instante.
 O velejador - Alika Finotti

Quando me deu o presente, sempre soube que era porque ia seguir. Chamou-se vida e pum - desapareceu. Felizes são as noções de que está bem. E seus sonhos, que alegria, virão até você. Sobraram mandalas de lembranças de um tempo que já não volta mais. Coloridas. Boas lembranças. Esperanças de uma próspera e boa sintonia para os próximos esbarros. Não dá pra esperar nada dos amigos: é a única forma de poderem oferecer tudo à gente. Quis o infinito, corri eternamente. Aquela coisa do não saber explicar, que tudo não faz sentido, mas é absolutamente perfeito.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Vejam todos, agora somos crescidos.

Vejam todos,
somos agora filhos formados,
construídos,
no gosto traçado do mundo,
orgulhosos de sonhos maiores.

Somos agora os fortes,
respeitados,
temos diplomas,
somos queridos.

Vejam todos,
agora temos amigos,
namorados,
e bichos de estimação.
E rezamos aos domingos.
Felizes no sonho do mundo,
filhos bem criados,
somos crescidos.

Vejam todos,
soltamos a mão materna
e andamos de bicicleta sem rodinha,
ousamos aprender mais que o futebol e o balé,
agora vamos analisar quadros econômicos
para mudar o status quo.

Vamos fazer diferente,
dessa vez seremos melhor,
não vamos esperar guerras,
para impor direitos humanos,
também não esperaremos o mundo derreter,
nem florestas queimarem, nem animais acabarem:
salvaremos a nossa biodiversidade,
resgataremos nossas culturas à beira de extinção.

Agora temos modelos sustentáveis,
modelos eco-responsáveis,
temos o ecodesenvolvimento, temos o etnodesenvolvimento.

Temos a propriedade intelectual, a OMC, o mercado livre,
Estados e organizações não governamentais
e nossas empresas (juram?) que buscam negócios sustentáveis.

Temos a pluridade jurídica,
o ICSID e a arbitragem.
Enfrentemos o globalismo localisado
o localismo globalizado,
supereremos a globalização.
Seremos capazes do mundo inteiro
do mundo forte que somos.

Salvaremos nós, de nós mesmos?
agora que os tempos são outros?
que somos seres racionais?
Agora somos seres racionalizados.

Caio na crítica da poesia que sou.

quinta-feira, 24 de março de 2011

à lá nona sinfonia

uma a uma as notas se arranjam, estavam ali levemente postas. Suavemente batidas, sopradas. Domadas. O Ar ganhou força, rabiscara seus ouvidos. E um estrondo imenso a seguir-te toque, inversa o passo... Conhecia, estavam ali, de algum lugar, arrepiaria aquele frio atrás da orelha frente sua maestria que em silêncio quedava à escutar. Um toque e inspira, outro, e sente, e mais outro, e solta o ar... são misturas de choques, ondas, relâmpagos?, e suaves como asas de beija-flor... Como pode? pergunto e penso? como pôde? conseguira opinar o mais belo sopro divino, majestosa luz a cair, iluminar, resplandecer, purificar, eis que encontra-se na mais perpétua e perplexa estupefagem e depuração... Canta e orquestra os belos e tristes do mundo, tudo é poesia... e centra-se nessa terra umbralina. É como colocar asas em demônios. O desafio do homem magro é comer. E o do servo é servir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Estou perdendo as palavras. Uma a uma fogem de mim. O quanto afastei o mundo? O quanto se afastou de mim. Ainda que não me importe com a falta de reconhecimento com identidades antes marcantes, choro a tristeza do desapego. Mas chega, esses estados depressivos também me enervam, prefiro mudar de assunto. Andei relendo capítulos do velejador, e acho que por isso me veio essa ânsia de vomitar palavras. Preciso escrever, colocar em cheque, degradar e soprar e depois fazer desse papel um leque para abanar o calor que essa França ainda não faz. Se parar, terei sido inútil comigo mesma, mesmo que não esperasse alguma utilidade. E pronto, meu computador agora fica acusando a não genuidade do seu Windows, como se eu soubesse o que fazer a respeito. Não sei formatar computadores, não sei raquear contas de emails, e só não esqueço as senhas que uso o tempo todo. Se me tirar a rotina, é como se nunca tivesse existido o cadeado que formei pensando em alguma data importante, achando que ia ser brilhante o suficiente para lembrar a mistura de dias especiais específicas ou palavras curiosas que juntei ao dizer “dessa senha eu vou lembrar”.

Não que eu seja metódica, mas minha memória é seletiva, não muito confiável. Uma Dolly, talvez, ou surtos de perda de memória recente para o fenômeno mais conhecido como falta de atenção. Só garanto que não esqueço as coisas que falo para as pessoas, pelo menos de uns 3 anos pra cá, quando comecei a medir as conseqüências que boto no mundo. E nada adianta, aliás, cada um vê o mundo e as coisas como querem e conseguem. Posso não ter falado nada que ainda será possível que acredite que eu tenha falado. Não que eu me julgue importante, não é isso, mas falar é arriscar colocar nome aos bois, ligar causas a conseqüências múltiplas e inimagináveis. Mas já cansei também de medir conseqüências pelas interpretações dos outros, posso descrever minha blusa cor de vinho predileta, ainda tem gente que vai dizer que é vermelha ou marrom, ou que a sua religião não permite. E eu nem queria tudo isso, mas sinto essa necessidade de falar, fazer o que.. é que só depois de chegar a exaustão, normalmente o silêncio me reina. E gosto do silêncio. Tenho treinado para melhorar. Aprendi um pouco da lição, hoje falo mais é pras paredes...

É certo que ainda falo muita besteira, e se se levar a sério demais, pode ser um problema. Depressão é um estado fácil de ser alcançado, se se leva a sério demais. E francamente, depressão é um saco e faz a gente perder tempo e a beleza desse mundo. Química, freqüência e hormônios causam dependência, é a forma que conduz o corpo no mundo, e se se confundir com o seu humor, corre sérios riscos de se perder nas identidades do mundo. Beba com moderação. Então pode ser certo que o que eu falo é errado, não importa e tanto faz. Falar é o ato de guiberichar por excelência, coincidência ou não. Também posso inventar uma desculpa biológica, afinal já ouvir dizer que a mulher concentra duas regiões da sua cabeça para o ato da fala

domingo, 20 de março de 2011


      "O cotidiano é nossa vida inteira que colocamos num aquário como um peixe:
se der comida demais,estoura; se não limpar as paredes-janelas, morre sufocado mesmo sabendo respirar debaixo d’água. - O Velejador - Alika Finotti"


Já abriu os olhos dentro da piscina?
é algo assim, mas do avesso,
de dentro pra fora, e não de fora pra dentro...
tudo fica embaçado, eventualmente,
um incômodo meio que impertinente...
Hora de jogar o lixo pra fora...
Primeiro jogam-se as formas no tabuleiro,
com olhar afiado, como de lobo e presa,
fucinho erguido, e todo o seu extinto à tona:
observe todas as formas, signos e estigmas que consegue identificar,
force-as pra fora, talvez nem seja algo bonito de se ver...
está destruindo suas próprias verdades, afinal...
não precisa assustar, é simplesmente botar o lixo pra fora...
parar de se apegar no que não presta...
e como uma 'boa filosofia oriental', rs...
resta-lhe o bom e velho espaço vazio....
o presente finalmente ganha a sua forma
e você, que nasce novamente,
pode de novo acumular seja o que for,
há no mundo belezas e tristezas,
como quiser enxergar, na medida do que puder enxergar...
e sempre que preciso... bote o lixo pra fora...

como o Velejador, acho talvez que
sempre vale a pena também rever Peacefull Warrior, Irmão Sol Irmão Lua, V for Vendetta, rs...
ter algumas doses de ioga, aikido, neikung e kung fu, rs... 
 meditações do osho  (rs, ajuda ué..rs)
e o bom e velho guiberichar...

sábado, 19 de março de 2011

...

Foi em um sonho (ou seria realidade?), que um desenho me contou... Seus personagens, como sempre, guerreiros, não tontados pelas batalhas que (sou?)... Pois não se engane, esse mundo - que feito de formas - quer te iludir de significados.... E você - que não cai em si - cai, ... feito um patinho...

Os sonhos do mundo sopram e ascendem, tão diversos fogos quanto possíveis...





foto antiga... 2008... Paris...
vou desaparecendo..
..deixando de existir...

pra puta que pariu,
todo esse tormento,
mesmo que gritar cansa,
o triste que sobra,
cansa mais...

vou desaparecendo..
deixando de existir...

se paguei pra ver até onde iria
por pouco, não me soltaria
mas soltara, vai saber porque

saber, aparentemente não basta,
ser humano é contato físico,
o resto, é ficcão...

vou desaparecendo...
deixando de existir...

à passos largos,
meus comprimentos,

fui incapaz do sonho
que tolos, me trouxeram a ti

se quer dançar,
siga comigo...


terça-feira, 15 de março de 2011

ao tardar a noite

Não suporto a idéia do adeus, meu amor,
é assim pra sempre...
Também não poderia me apegar à você
e continuar eu mesma...

Me agarro ao que chamam humanidade,
deixo sentir e correr o desespero.

É insustentável não ter-te comigo,
e te ter, é inconsolável ao ser,
que deixo de ser, contigo.

És o inalcançável,
e eu, o que me falta abrigo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

sinta, meu amor

Deixe-me, meu amor, ver por seus olhos
suave toque com que transformas
tão belas lágrimas em triste canção

Pois eis que eu carrego em suas mãos
os nossos sonhos desfigurados
como um leito de rio em vão..

Sinta, meu amor, a minha ausência
aborrecendo os teus encantos
te colocando assim aos prantos
pois que burrice não saber chorar..

Veja, meu amor, meus olhos choram
suas lágrimas tão tolas tomam
o meu espaço por ti foi levado
nesse rio que corre sem cessar...

viajante

Para todos aqueles contra,
e também à favor,
eis que tanta filosofia pode cansar,
se nem livre arbítrio, afinal, há...
que escolha a gente tem se vamos agir exatamente no que somos...

Para tantos contras e à favores
decepção, é palavra inexistente,
se o único vocabulário que persiste
é existir...

Não espere nada de ninguém
e assim pode ter tudo e o mundo inteiro,
as pessoas são o que são
e no que são, dão o melhor que podem...

viajante...
sempre soube que um dia iria embora...
have a nice walk...

quinta-feira, 3 de março de 2011

coisa de moletom

Hoje coloquei meu moletom vermelho, cor vinho... rs, tem uma ponta de lã bem macia que chega até os dedos, deixando a mão saber que está bem quentinha ... e a gola também de lã, chega até a orelha, e me vem aquela singela noção de aconchegante... minha mãe que me deu esse moletom... impressionante como ela não pensa duas vezes quando se trata de ser mãe, me deu esse moletom, que era o dela, mesmo já tendo me dado o meu, que é azul, cor de lapis lazuli...ela sempre me fazem lembrar de  gandhi explicando o amor pelo conceito de mãe,... quando diz que uma mãe não durmiria em um chão molhado, mas o faria com prazer se fosse para deixar seus filhos dormirem na cama seca... Por isso o moletom, eu acho, uso esse moletom quando quero alcançar o máximo de aconchego (ainda que inconscientemente) rs,... uma espécie de estar confortável comigo mesma ao ponto de poder relaxar,de poder dizer 'ta tudo bem, tá tudo certo, every one is just fine' , rs como se pudesse colocar de lado o 'prestar atenção em tudo o tempo todo', por alguns instantes...