Passo pelos campos de girassol
retocados pelo laranja do crepúsculo,
e me lembro que já é passado,
presente esse,
a janela do trem.
Mais uma vez estou a caminho de Aix,
com o alívio de quem sai da cidade grande
direto pro calor da provença.
Com o sabor das coisas que passam rápido,
como caminhos de girassol na janela de trens.
E então passavam-me muitos porquês.
Porque às vezes eu queria saber...
Porque a saudade parece mais forte em mim?
o que tanto esse meu olhar carrega que pesa?
Porque seguro lágrimas e luto contra nós?
É que ficou tão claro em outros olhares,
o quanto os meus estão abalados.
Minha voz trêmula me disfarça o nó na garganta
e me pergunto quando é que foi que me fiz tão frágil?
quando foi que estar longe eu fiz tão difícil?
o que foi que fiz de tão diferente assim?
porque a saudade parece mais forte em mim?
Ainda que eu ame essa minha Provença,
e ainda que eu venha a amar minha futura Paris,
Porque afinal a saudade parece mais forte em mim?
Por isso minha voz é trêmula
e por isso pareço-lhes frágil,
eu, que já fui das mais fortes,
agora pareço alguém que precisa mais dos seus cuidados.
E vocês viram que era sério,
viu que eu parecia desabar,
sequer fizeram piada,
e ali, me ergueram num segundo,
cada um a seu modo.
Abençoado são os caminhos de Deus,
De um jeito ou de outro,
Parece que não fui feita para cair.
Ainda que seja clichê... posso repetir que ninguém é tão grande, como quando se está de joelhos... e quando somos fracas, é que somos fortes.
ResponderExcluirAinda que seja clichê, leve em consideração, e em oração.
Um cheiro e querer bem,