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quinta-feira, 5 de maio de 2011

I-
Vou pegar seu detalhe mais curioso. Valorizar o que lhe tem de mais sutil. Vou dizer que você tem vida. E que a vida é assim... Você vai se apaixonar por mim. Vou te mostrar o que nem sabia que sentia, e será grandioso ... ...E você vai querer existir...

II-
Mas vou também quebrar os seus encantos. E o seu sorriso será também sua lágrima. Vou dizer que seus amores já não importam. Que verdade e ilusão são sua criação. Não é um cara de barba branca em cima de uma nuvem que toma conta da sua vida. Nem outro com um colete vermelho e face desfigurada no chão que te impulsiona tentações. E se te dissessem que são metáforas de seu próprio ser. Não será nem mesmo novidade, ter o céu e o inferno em si. Fruto da experiência que é. Teu corpo é um espelho que reage ao mundo ao seu redor.

III-
Mas você ainda vai querer existir. Vai saber que saber não é muita coisa. Só saberá que não saber é menos ainda. E você vai querer existir. Sua lágrima será também seu sorriso. Seu machucado serão também suas asas. E você vai querer existir.

IV-
E me dirá para calar a boca. Que saber e não saber, que importa. É tudo farinha do mesmo saco. E que a vida é assim.


4 comentários:

  1. Contra a polaridade de nossos medos e anseios. E a realidade se abre como vala que absorve cada referência do ser. Saberás o que é gozo até que o corpo desfrute da ausência de dor? Saberás o que é gozo até que a dor se esvaneie? Mas mesmo assim, eu érguntaria: porque muda de foco a polaridade, se ainda sim não entende o cerne da questão?
    Por um minuto em silêncio, por alguma breve compreensão. Ainda que pareça longe o cheiro e o gosto do mel. Ainda que os poros estejam carentes de luz, e que a luz que se precisa seja escassa nos alimentos. Cadê a luz de sua retina?
    Não perguntaria pelo velho ser que já cintilou, mas pelo novo. Perguntaria o que tem em suas mãos, acaso pudesse responder a si.
    Decrifaria a realidade de seus poemas, caso fizesse de sua realidade poesia.
    Os bons olhos dessa Vida.

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  2. Não se embrabeça por minha ideologia. Mas que seja esse o meu carinho à velha amiga.

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