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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O sonho da montanha: confronto entre o antes e o depois de mim

Ato Zero - Sinto meus pés, quentes. Respiração eufórica. E como é alto no pico da montanha. E eu costumava ter medo de altura. Até que a altura tornou-se parte de mim. Confronto, pois, afinal, é assim.
Ato I - Sem saco, sem tédio, sem pausa para nascer de novo, sem vacilo, sem fôlego. Algo que tenta agarrar, mas que passa por você. O antes grita por existência da qual o depois ri. - Aparentemente, o antes roga por sobrevivência; e o depois - sonhara e quisera eu - por evolução. E eita dor que deixa apego. Mudar, pois, afinal, é assim.
Ato II - E então o grito - sede, fome, indignação, impaciência - pelo que deixou e para o que ainda há por vir. Para não perder mais nada, para não perder mais vida. E toma todo ar que lhe é possível, para o vôo que deseja tomar na vida que tanto quer viver.
Ato III - E então o salto. Braços abertos, pulmões cheios de ar, ao vôo com as asas de Deus. O antes que fica, o depois que chega. Vento sopra então desapego: são ares de mudança. Porque hoje rasgou de si mais uma lembrança. Lembrança que estivera ali, atrás da espátula, como se tivesse quebrado um cófre repleto de memórias, que se somaram e que fora desenjaulada graças a uma massagem.
Ato IV - O pouso até que foi tranquilo. Soube por os pés no chão. Terra vermelha que, meio úmida, lhe pareceu macia. Primeiro os calcanhares, joelhos, e depois, as mãos.
Ato V - Veja bem a terra que pode conquistar. Árvores e campestres, água e ar. Agora abra os olhos.
8 de setembro,
Compilado de Rosa (e pérolas)

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