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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

o yin-yang das coisas...

Poderia dizer que caia uma lágrima.
Se não confundisse com a cachoeira banhando seus pés,
Enraizados em lama, é preciso, pois, sentir.
O quente e o frio, entre o corpo e o chão.
Poderia imaginar que andara até o pôr do sol, aquele dia,
Demasiado passo, este largo do coração,
que quisera voar, para além e muito além de velejar.
Poderia supor tua palavra,
recorrendo ao calor que produzia teu silêncio,

Poderia achar que, vendo assim, caindo,
desistira,
mas quisera novamente o vento,
quisera novamente o poço,
quisera enfim fora de si,
o grito que não era seu.

Quem diria que poderia ser assim,
como queda de cachoeira
após a caminhada de uma vida inteira,
quando lá do fundo buscava por ar,
e veio à superfície, e esta que te  veio
na mais perfeita ordem do yin-yang das coisas.

E haveria de ser teu próprio compasso,
já demasiado quente e,
contratizendo arrepios, frios, gritos e tremeliques,
contradizendo a cegueira momentânea
reflexo do sol, ao abrir os olhos e respirar.

Um comentário:

  1. Que lindo.
    Quanto mais profundo se quer ir rumo fora da superfície, maior tem de ser o fôlego para respirar.
    Muito bonito, bela dedicação.

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