Caminhar e ver meu reflexo na poça d´água por onde eu passo. Ver que sou cores num monte de cinza em Paris. Da ausência que refletem os distraídos no metrô, fico olhando, observando, será que eles nem se dão conta de que estão sendo observados? Tão fechados em seus próprios mundos. Todos tão fechados em nossos próprios fones de ouvidos. Fecho os olhos brevemente para saber se é um sonho. Sonho que segue com minha trilha sonora vida. Sinto que sou eu quando respiro.
Hoje eu quis escrever um livro. Para desenvolver todos esses personagens que observo. Um dia, talvez.
Porque os bebês e os cachorros são tão fofos? Será mesmo que acordam aquele mundo de inocência em nós dormindo? Crianças são mais próximas do mundo animal do que nós. Seguem mais pelos sentidos, pelo tato, contato, reação, emoção, vontade. Vendo como somos no metrô, é evidente o como, de uma maneira geral, vamos esquecendo de usar os sentidos. Teoricamente sequer precisaríamos olhar para os dois lados ao atravessar a pista, basta prestar atenção no barulho dos carros. Mas instinto que é instinto sempre acorda ao ver uma bunda bonita passar.
E os cachorros são como são. Sempre me pergunto porque gosto tanto assim de cachorros. Sempre me comovem. De um jeito, ou de outro. Adoro também observar como parecem com seus donos. Na França, vários mendigos tem cachorros. São fieis de seus donos, os seguem, obedecem e os protegem. É mesmo algo incrível de se observar. Hoje tinha dois filas acompanhando um mendigo num metrô. Eram enormes. Quase parei para brincar com eles, que por sinal também quase pararam para brincar comigo. Somos espelhos, ambos hesitamos e seguimos nossos caminhos. Os cachorros tem essa capacidade de ser espelho do meio, pelo menos de forma aparentemente mais evidente do que nós. Ou não. Mas isso acontece correntemente. É um bom dado sobre como o meio é. Penso nos vira-latas do Brasil, realmente deixa uma análise assim um tanto quanto indefinida.
Saudade da Athenas. A cachorrinha mais esperta que meu pai arranjou. O Petrukio é, claro, o mais fuçoso. Mas a Athenas é de fato bastante curiosa. Lindo foi o dia em que finalmente deixou eu brincar com ela. E depois nunca mais parou, rs.
Mas voltando a idéia do livro. Vai ser assim, cheio de aventuras. Personagens que mesclam essa vida entre reflexos dos meios, das coisas, dos sentidos, da vida, enfim. Indefinido assim, por isso que é capaz de ficar só na idéia.
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